Viaja a trabalho? Confira as vacinas indicadas e os cuidados extras

De 850 milhões de pessoas que viajam por ano, 136 milhões vão a trabalho, o que corresponde a 16%

SÃO PAULO – Cada vez mais pessoas viajam a trabalho, mas, a despeito dos benefícios que as viagens podem trazer à carreira, é necessário dar atenção extra aos cuidados com a saúde.

E o infectologista José Geraldo Ribeiro, professor de Medicina Preventiva da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, faz um alerta quanto às viagens dentro do País: “as pessoas procuram mais informações sobre os riscos de uma viagem a outro continente, quando, às vezes, existe maior probabilidade de transmissão de doenças numa jornada de curta distância, cujo destino é uma área de risco”.

O recente surto de febre amarela silvestre é prova deste fato: 85% dos 40 casos confirmados eram de pessoas não-vacinadas e 5%, de pessoas imunizadas há mais de 10 anos. Quanto aos 10% restantes, não se conhece a situação vacinal.

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O assunto foi discutido durante uma mesa-redonda do VIII Fórum Presença Anamt, realizado na última quinta-feira (2) pela Anamt (Associação do Medicina do Trabalho). Entre os participantes, estava o infectologista Jessé Alves, do Núcleo de Medicina de Viajantes do Instituto Emílio Ribas e responsável pelo setor de Consultas a Viajantes, do laboratório Fleury.

Vacinas indicadas

De acordo com a OMT (Organização Mundial do Turismo), das 850 milhões das pessoas que viajam por ano, 136 milhões vão a trabalho, o que corresponde a 16%. Para evitar as doenças transmissíveis, é preciso estar com a vacinação de rotina em dia e se imunizar contra as doenças da região para aonde se vai. As principais vacinas indicadas são contra a diarréia do viajante, a hepatite A, a cólera, a febre amarela e a febre tifóide.

As três últimas são recomendadas para quem se destina às áreas de risco. Já as vacinas contra a diarréia do viajante e hepatite A devem ser tomadas por qualquer viajante, porque são transmitidas por água e alimentos contaminados. “Como não conhece o local, o profissional pode comer em restaurantes com problemas de segurança alimentar, ficando vulnerável a essas doenças”, disse Ribeiro.

No Brasil, o aumento de viagens a trabalho dentro e fora do território nacional foi tão expressivo que empresas já estão terceirizando o serviço de diagnóstico de saúde e prevenção de doenças de profissionais viajantes.

Para se ter uma idéia do crescimento desse movimento, segundo Alves, quando da criação do setor de Consultas a Viajantes, do laboratório Fleury, há três anos, a equipe atendia uma consulta por semana. Agora, elas somam cerca de cem por mês, além das consultorias dadas aos departamentos médicos.