Últimas notícias envolvendo a Vale trazem diferentes impressões para os analistas

Carregamento postergado, ajuste salarial e consolidação do setor movimentam noticiário; Banif, Ativa e Link avaliam cenário

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SÃO PAULO – Próximo do encerramento da semana anterior, diversas notícias envolveram o nome da Vale do Rio Doce. Além de rumores de uma provável oferta pela Rio Tinto, a mineradora enfrentou problemas em seus carregamentos e anunciou acordo salarial com seus funcionários.

Para os analistas, cada evento traz uma impressão diferente. Na questão da postergação dos carregamentos, a avaliação do Banif foi negativa. Em relação ao acordo salarial, a corretora Ativa considerou o anúncio como neutro para a empresa; enquanto a possibilidade de compra da Rio Tinto foi tratada como de difícil concretização.

Atraso nos carregamentos

Na última sexta-feira, a Vale comunicou ao mercado que postergou embarques de minério de ferro nos terminais de Ponta da Madeira, no Maranhão, e Ilha Guaíba, no Rio de Janeiro. A mineradora disse que o adiamento deve-se à redução na produção do produto, ocasionado por chuvas em regiões onde a companhia possui minas de exploração.

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Outro fator associado ao evento foram os protestos realizados pelo MST (Movimento dos Sem-Terra) na Estrada de Ferro de Carajás, que dificultam o escoamento da produção ao Porto de São Luís, no Maranhão.

Para os analistas do Banif, apesar do adiamento diminuir a taxa de demurrage em seu carregamento, o volume previsto para 2007 será afetado, fator que exprime a visão negativa da notícia. O volume projetado pela instituição gira em torno de 290 milhões de toneladas para o período.

Aumento salarial

Outro evento que recebeu destaque foi o anúncio do fechamento de um acordo salarial de dois anos entre a Vale e seus funcionários, que receberão aumento de 14,5%, dividido em 2 vezes. De acordo com informações da corretora Ativa, o acordo atinge 34 mil trabalhadores da empresa.

Segundo a corretora, o reajuste em questão supera as projeções de seus analistas para a inflação nos próximos dois anos, que giram em torno de 4,3% para 2008 e 4,0% para 2009.

Ainda assim, o ganho real de 2,6% para 2008 e 2,9% para 2009 foi tratado como de impacto insignificante aos custos da mineradora, tendo em vista que a Vale vem obtendo lucratividade muito alta, tópico que apóia a visão da Ativa de que o acordo não deve ter grande reflexo para a empresa.

Consolidação pode estar próxima?

Com rumores
apontando para ofertas de compra por parte da Vale e BHP Billiton pela mineradora anglo-australiana Rio Tinto movimentando o mercado, um movimento de consolidação expressivo no setor pode estar perto de ser anunciado.

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Em relação à possibilidade de compra da rival pela Vale, os analistas da Link Corretora destacaram a questão regulatória e a ampliação das incertezas no mercado como fatores que prejudicam um eventual acordo entre as empresas, dificultando a operação. Ainda assim a instituição citou como boa saída para o negócio uma proposta conjunta entre os grandes players do setor pela Rio Tinto.

Nesta segunda-feira, Roger Agnelli – presidente da Vale – afirmou que a mineradora não possui interesse em auxiliar a BHP Billiton na aquisição da Rio Tinto, mas caso a operação não se concretize entre as duas empresas, não descartou a possibilidade de uma futura compra de ativos da Rio Tinto por parte da Vale.