Turbulência econômica pode deixar 5 milhões de pessoas sem emprego

Nova projeção contrasta com os resultados de 2007, ano em que foram criados 45 milhões de postos de trabalho

SÃO PAULO – A esperada turbulência econômica, provocada principalmente por conta da crise no mercado de crédito e da alta dos preços do petróleo, poderia causar um aumento no desemprego. O prognóstico da OIT (Organização Internacional do Trabalho), divulgado na quarta-feira (23) no relatório anual Tendências Mundiais do Emprego, é de que 5 milhões de pessoas fiquem sem emprego em 2008.

A nova projeção contrasta com os resultados de 2007, ano em que foram criados 45 milhões de postos de trabalho, o que equivale a 1,6% de crescimento na comparação com 2006. O setor de serviços foi o que mais empregou. Além disso, houve uma pequena alta no número de desempregados, para um total de 189 milhões de pessoas ao redor do mundo. O motivo foi a estabilidade da economia, com um aumento de 5,2% no PIB (Produto Interno Bruto).

Contrastes e incertezas

“O cenário para o trabalho deste ano é de contrastes e incertezas”, disse o diretor-geral da OIT, Juan Somavia. “Enquanto o crescimento global está criando anualmente milhões de empregos, o desemprego se mantém inaceitavelmente alto e deve aumentar a níveis nunca anteriormente vistos antes deste ano.”

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“Além disso, realmente há mais pessoas trabalhando do que antes, no entanto, isso não significa que esses empregos sejam decentes. Muitas pessoas, ainda que desempregadas, continuam entre os trabalhadores pobres, em situação de vulnerabilidade.”

Ele lembra, entretanto, que o efeito da crise econômica de países desenvolvidos tem sido compensado pelo resto do mundo, em especial pela Ásia, onde a economia e o emprego permaneceram altos. De qualquer maneira, o relatório advertiu que uma desaceleração é esperada durante 2008, e ela deverá aumentar o nível de desemprego para 6,1 pontos percentuais.

Panorama geral

No geral, 61,7% da população mundial com idade para trabalhar – cerca de 3 bilhões de pessoas – estava empregada em 2007. Embora o nível de desemprego permaneça virtualmente constante em seis pontos percentuais, isso significou um número estimado de 189,9 milhões de pessoas desempregadas, ante 187 milhões em 2006.

Na América Latina e no Caribe, no entanto, o desemprego é mais alto: atingiu 8,5% da população em 2007. O perfil do emprego também é diferente da média mundial. A região apresenta a maior concentração no setor de serviços, que responde por 58,9% do emprego. Depois, aparece a indústria, com 20%, e a agricultura, com 18,6%.

Os locais com taxas mais altas de desemprego são Europa Oriental e norte da África, com 11,8% e 10,9%, respectivamente, em 2007. Em seguida, ficaram América do Sul e Caribe, Europa Oriental central e do sul, e Comunidade de Estados Independentes.

A realidade no Brasil

O percentual de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do País foi de 7,4%, no último mês do ano de 2007, o que implica recuo de 0,8 ponto percentual em relação a novembro (8,2%) e de 1 p.p. contra dezembro de 2006 (8,4%), registrando o menor percentual da série histórica, iniciada em março de 2002.

A PEA (População Economicamente Ativa), estimada em 21,4 milhões de pessoas, não variou em relação ao mês anterior, mas cresceu 3% em relação a dezembro de 2006. As informações são do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que divulgou a Pesquisa Mensal de Emprego nesta quinta-feira (24).