Turbulência ainda não atinge contratações de executivos e novos talentos

"Crise se restringe a um segmento específico de mercado, que é o financeiro", diz presidente do grupo DM RH

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SÃO PAULO – O desemprego atingiu em cheio os Estados Unidos, mas, por aqui, a crise financeira global parece ainda não ter afetado a contratação de executivos e de profissionais para escalões médios e iniciantes das empresas, de acordo com o vice-presidente da ABRH-SP (Associação Brasileira de Recursos Humanos), Wagner Brunini, que também é diretor de RH (recursos humanos) da BASF para a América Latina.

A mesma constatação é compartilhada pelo Grupo DM RH, empresa que recruta pessoas para todos os postos das organizações, de altos executivos a novos talentos. Nenhum projeto de seleção ou recrutamento em andamento foi suspenso até o momento, de acordo com a presidente do Grupo, Sofia Esteves.

Andamento dos processos seletivos

Brunini explica que a crise ainda não afetou os planejamentos das empresas, justamente o que determina a contratação de profissionais. “O que sentimos é que, justamente nas crises, cresce a necessidade de retenção de talentos dentro das organizações”, contrapõe o especialista em Recursos Humanos.

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“As empresas com atuação no Brasil e na América do Sul seguem otimistas e continuam com seus planos de recrutamento de pessoal, inclusive para postos de comando. O que notamos é que esta crise se restringe a um nicho bastante específico de mercado, que é o segmento financeiro”, afirma Sofia, ao admitir que, no entanto, de modo geral, as empresas com atuação nos segmentos industrial e de serviços sabem que a crise se fará sentir de alguma forma.

Capital intelectual é essencial na crise

Segundo o diretor-geral do Congresso Nacional sobre Gestão de Pessoas, o CONARH, promovido pela ABRH-Nacional, Luiz Edmundo Rosa, o pior de uma crise ocorre quando as pessoas e as empresas deixam se influenciar pelo clima de pessimismo e começam a internalizá-la, esquecendo de qualquer bom senso.

“A crise se torna de fato real quando nos deixamos dominar pelo medo e pela dúvida. É quando, em vez de pensar nas oportunidades e imaginar novos caminhos, nos comportamos como a maioria em meio ao pânico. Alguns acham que são proativos cortando custos, adiando investimentos vitais, reduzindo equipes, programas de treinamento, marketing e vendas, mas tais medidas são defensivas e refletem a falta do pensamento estratégico, da criatividade e da ousadia”, assinala.

Para Rosa, as pessoas que comandam empresas costumam esquecer que, justamente em tempos difíceis, deve-se mobilizar as equipes para conquistar novos negócios, fidelizar clientes e ganhar espaços que a concorrência está perdendo por medo de investir.

“Quando ocorre esse subjulgamento, a crise se transforma em realidade. Fica fácil se esconder atrás dela, justificar nossa apatia e culpá-la pelos nossos fracassos. Mas o que as pessoas e as empresas acabam descobrindo é que a crise não é a mesma para todos”.

Gestão de talentos se torna crucial

Segundo Rosa, internalizar uma crise pode fazer com que a empresa deixe de motivar seus funcionários para que enfrentem a situação adversa. No lugar de agir para neutralizar a crise, a empresa acaba tornando-a ainda maior. São nos momentos de crise que aparece a necessidade de uma gestão eficaz de pessoas; de ações de integração e comunicação, com o objetivo de difundir confiança e capacidade de ação.

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Ele adverte que a carência de talentos, notada pelo mercado já há algum tempo, não vai mudar e que as empresas devem refletir sobre as dificuldades de se conseguir e manter talentos antes de demitirem seus profissionais.

O presidente da ABRH-Nacional, Ralph Arcanjo Chelotti, concorda. A crise está evidenciando que as empresas que têm uma gestão de pessoas eficaz podem sair na frente da concorrência. “Empresas que já fizeram a lição de casa, que mapearam seus talentos, conhecem seus profissionais, têm programas de treinamento e capacitação vão sair da crise fortalecidas. Esta crise, mais uma vez, enfatiza a necessidade de as organizações enxergarem a gestão de pessoas como parte de seu negócio, e não como um apêndice de custo”, finaliza.