Trabalho noturno: o que considerar para decidir se vale a pena?

Especialista explica que o profissional deve avaliar seu perfil e objetivos de carreira; perda de visibilidade é desvantagem

SÃO PAULO – Morar em uma das cidades mais importantes do País, como é São Paulo, tem suas vantagens e desvantagens. Do lado positivo, é possível destacar a quantidade maior de oportunidade de trabalho. Os profissionais, inclusive, com bastante frequência podem avaliar oportunidades de trabalhos no período noturno.

Mas, você sabe o que levar em consideração para decidir se aceita um trabalho noturno ou não? Para o diretor de ações estratégicas das ABRH-BA (Associação Brasileira de Recursos Humanos da Bahia), Remulo Farias, o profissional deve avaliar, sobretudo, se a oportunidade está em sintonia com seu projeto pessoal. Independente de ser em um horário não convencional, é preciso observar se oferece desenvolvimento de carreira.

Embora seja no período noturno, existem posições de supervisão, coordenação e gerência, ou seja, cargos de níveis estratégicos. Na prática, segundo o especialista, se você puder escolher entre uma posição de gerência no período noturno e uma como coordenação no período convencional, vale à pena considerar a primeira opção.

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Quando você é mais produtivo?
O importante é que haja desafios para você crescer na carreira. É necessário ponderar, também, os aspectos fisiológicos. Existem profissionais que são extremamente improdutivos no período noturno, enquanto outros são altamente produtivos.

Essa, inclusive, será uma questão abordada no processo de seleção para tais posições. Outra questão, relativa ao perfil do profissional mais apto para trabalhar em períodos noturnos, é a questão da solidão. Tanto a agitação da cidade, quanto os contatos profissionais são muito mais escassos durante o período noturno, logo, é fundamental que você seja uma pessoa afeita ao trabalho solitário.

Perda de visibilidade
Aqui, inclusive, reside certa desvantagem dessa modalidade. “Trabalhar de noite tem o risco de perda de visibilidade dentro da empresa e do mercado, caso o profissional não estabeleça formas de contato com o público e outros stakeholders dentro da organização”, pondera a coach Susana Azevedo.

Além disso, é importante ser bem criterioso na decisão. Lembre-se que durante o dia, ou seja, quando a maioria dos serviços está operando, você precisará descansar. Para quem tem família e filhos a situação é ainda mais complicada.

Para Susana, a decisão depende muito mais a vida pessoal e do biorritmo da pessoa – que interfere na questão da produtividade, do que incluir questões salariais, por exemplo.

Se o trabalho que você busca exige alto grau de concentração, nada mais adequado do que o período noturno. De todo modo, a avaliação deve passar pelo seu perfil profissional e seu objetivo de carreira. O salário, que pode ser maior, nem sempre configura vantagem.