Trabalho, família…e agora estudos? Os desafios de quem quer voltar à faculdade

De acordo com consultora em carreiras, a pessoa tem de ter disciplina, paciência e dedicação, se quiser vencer obstáculos

SÃO PAULO – Qualquer hora é hora de voltar a estudar, inclusive quando o objetivo é retornar aos bancos universitários. Mas, como em toda etapa da carreira, as pessoas podem encontrar obstáculos neste momento, que exigem muita paciência e dedicação para serem vencidos. Segundo a gerente da área de carreiras do Ibmec São Paulo, Maria Ester Pires da Cruz, o primeiro desafio é manter a disciplina.

“A pessoa tem que aprender a disciplinar a vida escolar, que não é mais o aspecto mais importante na escala de valores da vida dela, e sim a família e o emprego”, afirmou. Por isso, o grande desafio ao voltar a estudar, depois de anos no mercado de trabalho, é tentar equilibrar a vivência com a família, o trabalho e os estudos.

O profissional ainda tem de se adaptar às mudanças: “a faculdade de hoje não é igual a de antigamente”.

Diferença com os colegas

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Normalmente, a faixa etária de quem ingressa na faculdade é baixa, podendo ter pessoas com 17 anos de idade. Se pensarmos em uma situação hipotética de alguém com 40 anos, há uma disparidade muito grande. Neste caso, Maria Ester acredita que não haja preconceito com relação a pessoas de mais idade.

O que acontece, segundo ela, não é nem uma diferença de ritmos, mas de interesses. “O aluno mais velho entra e já tem vivência, sabe o que quer da vida. O aluno mais novo não sabe ainda. É um verdadeiro exercício de paciência para o mais maduro”. Ela indica que a pessoa com mais experiência tente se colocar no lugar do outro.

“Na realidade, tem que ter força de vontade, porque terá que vivenciar novas situações. Tem que se disciplinar para se motivar. Tentar entender o mais jovem. Colocar-se no lugar do outro”.

Organização

Para Maria Ester, a pessoa deve voltar para a faculdade, se sentir que precisa focar no desenvolvimento da carreira. “Existem pessoas que querem sair do emprego e não conseguem, porque não possuem qualificação. Não têm fundamentação teórica. Estão sem alternativas”.

Antes disso, porém, um outro desafio é organizar as demandas: a presença que a família cobra, as atividades no trabalho e da faculdade. Uma dica para que dê certo é ter foco. “A partir do momento que a pessoa se conhece, ela sabe onde está e aonde quer chegar, ela consegue determinar prioridades”.