Trabalhar demais provoca depressão, stress e pode levar à morte

No Japão, a pressão por eficiência tem provocado distúrbios mentais e suicídios; a situação já preocupa as autoridades

SÃO PAULO – A crescente cobrança por eficiência e produtividade no trabalho tem provocado novos problemas ao funcionário moderno. Frente a tanta pressão muitos profissionais acabam sofrendo problemas psicológicos, que vão desde a ansiedade até casos mais graves de depressão, que podem inclusive levar ao suicídio.

Nos países desenvolvidos, a pressão é ainda maior, e é por isso que se estima, como levantado pela OMS (Organização Mundial de Saúde), que os gastos das empresas com distúrbios emocionais esteja crescendo nas últimas décadas.

Situação no Japão é grave

Porém, no Japão a situação vem alcançando níveis ainda mais preocupantes, já que diante de tanta pressão, muitos profissionais acabam optando pelo suicídio. Após uma década de estagnação, durante a qual as empresas tentaram reduzir seus custos, a segunda maior economia do mundo parece finalmente estar se recuperando.

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Quando se analisa o número de horas trabalhadas no Japão, o que se constata é que não só ele está crescendo, como é o maior entre os países desenvolvidos. Entre 2001 e 2004, segundo informa o Ministério do Trabalho do Japão, os trabalhadores japoneses passaram a trabalhar em média duas horas a mais!

No setor manufatureiro, por exemplo, os japoneses trabalham em média 1.975 horas, frente a 1.928 dos norte-americanos e 1.888 dos ingleses. A diferença é ainda maior em relação à França (1.539) e Alemanha (1.525).

Aumento do suicídio

Mas, essa recuperação parece estar custando muito caro aos japoneses. Tanto que nos 12 meses terminados em Março de 2005, o número de pedidos de compensação pedida por trabalhadores devido ao excesso de trabalhos subiu para 524.

O que mais impressiona, contudo, é que desse total quase um quarto dos pedidos se referem a pessoas que literalmente trabalharam até a morte. Esse é o número de casos de trabalhadores, que acabaram se suicidando em decorrência do excesso de trabalho. Esses não são casos isolados, já que segundo a polícia japonesa, somente em 2004, foram registrados 32.325 suicídios.

Alerta para suicídios

O governo japonês e a sociedade em geral já se preocupam com a causa e existem campanhas para combater o “karoshi” (palavra que define a morte por excesso de trabalho). Recentemente, os provedores de internet se comprometeram a delatar mensagens suicidas trocadas virtualmente.

O problema, contudo, não é de difícil solução, visto que na cultura japonesa o suicídio é visto como forma de fugir do fracasso ou de poupar os entes queridos de constrangimentos, ou prejuízos financeiros.