Trabalhadores do comércio em São Paulo perderam 43,5% da renda em oito anos

Pesquisa Dieese/Seade apontou queda generalizada em todos os setores, mas comerciários sentiram peso maior no bolso

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SÃO PAULO – Segundo estudo publicado nesta terça-feira, os trabalhadores do comércio do município de São Paulo viram seu rendimento médio acumular perdas de 43,5% desde 1995 até este ano. Atualmente, o salário médio destes trabalhadores equivale a R$ 796 enquanto, em valores atuais, o rendimento médio de 1995 correspondia a R$ 1.409.

A constatação faz parte da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) divulgada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio Econômica (Dieese) e pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) a pedido do Sindicato dos Empregados no Comércio de São Paulo.

Comerciários foram mais prejudicados

Com exceção dos anos de 1995 a 1997, a retração na renda do trabalhador foi constante, sendo que os comerciários sentiram um peso maior no bolso, ao passo que viram seu poder de comprar decair o equivalente a 43,5% em oito anos.

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Para a construção civil a queda também foi expressiva, de 34,5% no mesmo período. Se em 1995 o salário para estes trabalhadores era de R$ 1.618, em setembro de 2003 passou para R$ 1.060. Os dados do estudo indicam ainda que aumentou a distância entre os salários pagos no comércio e na indústria. Em 1995 o rendimento do comerciário correspondia a 87,9% do salário da indústria, número este que caiu para 68,4% em 2003. Esta distância foi maior apenas em 2000.

Queda foi maior para autônomos paulistanos

No que se refere aos rendimentos em relação à posição na ocupação, houve diminuição generalizada nos rendimentos dos trabalhadores do comércio em todas as posições, tanto entre os assalariados com ou sem carteira assinada como entre os trabalhadores autônomos.

Neste contexto, o estudo revelou que, entre os trabalhadores assalariados com carteira de trabalho assinada, a queda da renda média foi de 27,8%, maior, portanto, do que o conjunto dos assalariados no comércio (26,4%). Já os trabalhadores sem carteira assinada tiveram perdas de 16,9% em seus rendimentos de 1995 a 2003. Por sua vez, os autônomos tiveram elevadas perdas 57,3% em seus rendimentos.

Como a redução do rendimento dos trabalhadores sem carteira assinada foi menor, diminui também a distância entre os ganhos dos assalariados com carteira daqueles que trabalham sem vínculo empregatício. Há oito anos os sem carteira recebiam 60% do que ganhavam aqueles com carteira assinada, percentual este que passou para 69% em 2003.

De acordo com a pesquisa, independentemente da abrangência geográfica e do período de referência, o fato é que a renda do trabalhador vem perdendo participação na renda nacional a cada ano, fator este que se estende também a outros setores.