Terceirizados ganham 27% menos que contratados diretos, diz CUT

Estudo divulgado nesta segunda-feira aponta que terceirizados trabalham mais por remunerações inferiores

SÃO PAULO – Os trabalhadores terceirizados costumam receber, em média, 27,1% menos que os contratados diretos e ainda estão sujeitos a uma jornada de trabalho semanal superior à dos demais profissionais: são três horas a mais. Os dados fazem parte de um estudo da CUT (Central Única dos Trabalhadores) divulgado nesta segunda-feira (3).

De acordo com o levantamento “Terceirização e desenvolvimento: uma conta que não fecha”, a terceirização também se mostra desfavorável para geração de vagas. Segundo o Dieese, por exemplo, a estimativa é que 800 mil novas opotunidades tenham sido perdidas em 2010, por conta de contratações indiretas.

“Se a jornada dos trabalhadores terceirizados fosse igual à dos contratados, seriam criadas cerca de 801.383 vagas de trabalho. E isso sem considerar horas extras, banco de horas e o ritmo de trabalho, que, como relatado pelos dirigentes sindicais, são maiores entre os terceiros”, diz o estudo.

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Distribuição percentual dos trabalhadores diretos e terceirizados por faixa salarial (2010)
Faixa SalarialTerceirosDiretos
de 1 a 2 salários mínimos (de R$546,00 a 1.090,00)48%29%
de 2 a 3 salários mínimos (de R$1.091,00 a R$1.635,00)36%23%
de 3 a 4 salários mínimos (de R$ 1.636,00 a R$2.180,00)12%13%
de 4 a 6 salários mínimos (de R$2.181,00 a R$3.270,00)4%17%
acima de 6 a 8 salários mínimos (de R$3.271,00 a R$4.360,00)0%10%
acima de 8 salários mínimos (acima de R$4.361,00)0%8%
TOTAL100%100%

Mais rotatividade
Outro dado relevante diz respeito ao tempo de contratação de diretos e terceiros. Ao que consta, enquanto a permanência no trabalho é de 5,8 anos para os trabalhadores diretos, para os terceiros, ela é de 2,6 anos, o que explicaria a alta rotatividade de mão de obra observada nos dias atuais.

“Tais dados ajudam a explicar porque 44,9% de todos os terceirizados saíram do emprego entre janeiro e agosto de 2010, enquanto 22% dos diretamente contratados passaram pela mesma situação. Essa diferença puxa todo o mercado para baixo, trazendo a média geral da rotatividade para 27,8%”, informa a CUT.

Impactos pessoais
Entre as consequências de tais mudanças de emprego, o estudo, que teve como base os dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), da PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego) e de sindicatos, revela uma série de problemas pessoais para os adeptos desse tipo de contratação.

Entre os principais, figuram a falta de condições para organização da vida pessoal, inclusive para a realização de projetos quanto à formação profissional. Além disso, um rebatimento sobre o FAT (Fundo de Amparo do Trabalhador) também é apontado, uma vez que essa alta rotatividade pressiona para cima os custos com o seguro-desemprego.