Taxa de sindicalização cai quase 18% no Brasil em dez anos

Queda registrada de 1992 a 2002 é maior entre os 12 países analisados em estudo do Sindeepres

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SÃO PAULO – Um estudo realizado pelo professor e economista Marcio Pochmann, a pedido do Sindicato dos Empregados em Empresas de prestação de Serviços a Terceiros (Sindeepres), revelou que a década de 90 foi ruim para os sindicatos brasileiros.

O estudo aponta que, entre 1992 e 2002, a taxa de sindicalização no Brasil caiu 17,8%. Esta é a maior queda registrada nos 12 países analisados. A segunda maior aconteceu no Japão (14,6%), e em terceiro lugar apareceu a Coréia do Sul, com diminuição de 9,6%.

Já Cingapura registrou a maior elevação na taxa de sindicalização (77%), seguida por China (29,8%) e Turquia (20,8%).

Sindicalização no Brasil

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A queda registrada no País não se mostra uma tendência, quando analisadas as cinco regiões brasileiras entre 1999 e 2004. Acompanha o movimento de queda apenas a região Norte, com diminuição de 9,3%.

As demais apresentaram crescimento na sindicalização dos ocupados, sendo a região Nordeste com a maior expansão (18,7%), seguida pelo Centro-Oeste (16%), Sudeste (10,8%) e Sul (9,9%).

Ainda em relação ao período entre 1999 e 2004 – no que diz respeito aos setores de atividade econômica – percebe-se o maior crescimento da taxa de sindicalização no setor terciário. Dentro dele, destacam-se os setores de reparação (69,8%) e de administração pública (1,6%). No setor industrial, houve redução de 11,6% na taxa de sindicalização.

Perfil dos sindicalizados

Quando analisados os dados entre 1995 e 2005, percebe-se que a taxa de sindicalização dos trabalhadores na faixa etária de até 24 anos aumentou 2%, e na de 25 a 49 anos, cresceu 18,5%. O segmento etário de 50 anos ou mais apresentou elevação de 32,2%.

A expansão mais recente da sindicalização acontece em grande parte entre trabalhadores de menor remuneração. No mesmo período, o número de sindicalizados cresceu 59,1% entre ocupados com remuneração de até 2 salários mínimos, seguida da elevação em 32,5% dos ocupados com remuneração entre 2 e 5 salários mínimos, 14% para os ocupados com rendimentos entre 5 e 10 salários, e 11,1% para quem recebe acima de 10 salários mínimos mensais.

Vale ressaltar, no entanto, que as maiores taxas de sindicalização no Brasil acontecem entre os melhores remunerados, já que, entre os trabalhadores que recebem acima de 10 salários mínimos mensais, a sindicalização alcança um a cada dois ocupados, enquanto os trabalhadores com rendimento de até dois salários mínimos têm somente 14% dos filiados aos sindicatos.

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