Talentos problema ameaçam produtividade no trabalho

Problemas com pessoas talentosas podem terminar na saída de líderes, o que pode provocar processos de desagregação das equipes

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SÃO PAULO – Não há dúvidas de que existe um problema de escassez de talentos, e ele é global. Pesquisa da Towers Watson revelou que 65% das empresas no mundo reportaram problema em atrair funcionários com habilidade crítica. Outras 61% afirmaram ter dificuldade em atrair profissionais tops e 21%, em manter esses empregados. Mas essa falta de talentos pode provocar fenômenos nada positivos para o ambiente de trabalho.

De acordo com o presidente da empresa de outplacement Lens & Minarelli, José Augusto Minarelli, a carência de talentos, decorrente de sistemas educacionais precários no Brasil, fez surgir o fenômeno da hiper-valorização de profissionais “tops”, o que pode representar uma grave ameaça ao trabalho coletivo ou em equipe e também para o líder. Como exemplo, ele citou o episódio da saída do técnico do Santos, Dorival Jr., após discussões com o talentoso Neymar.

“A saída do técnico do Santos pode representar uma vitória para o jovem talento, mas pode também ter graves implicações para o trabalho do time enquanto equipe. O que temos notado também no ambiente organizacional é que muitas empresas, movidas pela carência de pessoas talentosas, terminam por cometer erros similares, que vão se traduzir em desgastes nas relações de trabalho”, disse Minarelli.

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Segundo ele, de modo geral, pode-se dizer que problemas de relacionamento com pessoas talentosas terminam por resultar na saída de alguns líderes, o que pode provocar processos de desagregação das equipes. “A saída de muitos executivos de alto nível decorre também de falhas de relacionamento com pessoas que podem ser consideradas como líderes informais”, ressaltou.

Um talento solitário
Além do desrespeito que os talentos podem trazer ao líder, o que deve ter uma atenção especial, eles também podem prejudicar os colegas de equipe. De acordo com Minarelli, nunca é demais lembrar que, tanto no futebol quanto nas empresas, o sucesso é sempre resultado de um trabalho em grupo. “Os talentos, sozinhos, nada conseguem”.

O presidente da empresa de outplacement volta ao exemplo do time do Santos, que, segundo ele, precisará de muito cuidado nos desdobramentos dessa questão, uma vez que o jovem Neymar não discutiu apenas com o técnico, mas com os colegas de trabalho. “Alguns colegas podem se sentir tentados a exigir que o jovem talento mostre agora o quanto ele é talentoso sozinho, o que certamente vai comprometer o desempenho da equipe a curtíssimo prazo”, explicou.