Strauss-Kahn do FMI: crises na imagem de líderes podem desmotivar equipes

Consultora Thais Alves aponta necessidade de organizações terem plano de ação para gerir crises envolvendo diretores

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SÃO PAULO – A acusação de assédio a uma camareira de hotel em Nova York contra ninguém menos do que o diretor-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Dominique Strauss-Kahn, gerou mais que uma grande repercussão no noticiário mundial: afetou a rotina de cada um dos funcionários que atuam em todas as esferas de um dos mais poderosos órgãos internacionais.

“A crise na imagem de um grande executivo de uma organização, empresa ou instituição afeta todos os funcionários, colaboradores e envolvidos, que estão inseridos na imagem que essa companhia tem”, analisa a consultora em comunicação de pessoas, Thais Alves.

Mas o que fazer para minimizar o impacto de uma informação como um líder acusado de assédio, superfaturamento, ligações com a corrupção, desvios ou outros escândalos sobre a equipe de trabalho e as pessoas ligadas à determinada empresa? “O primeiro passo é assumir a crise, não ignorar que existe um fato envolvendo determinada pessoa, porque, se isso for feito, a repercussão através da ‘rádio corredor’ será muito pior e terá implicações de maior impacto”, avalia Thais.

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Para a especialista, o primeiro passo, ao lidar com a crise na imagem de um gestor, diretor ou presidente de uma companhia, é incluir toda a equipe no processo de reestruturação da imagem da empresa. “É necessário sair da ótica somente de quem atua na liderança e ver a perspectiva das equipes em todas as esferas hierárquicas, porque há alternativas para minimizar o estrago que só aparecerão da sugestões dessas pessoas”, identifica a consultora.

Plano de ação
Thais recomenda que as empresas tenham prudência suficiente para sistematizar um plano de ação para minimizar os danos à sua imagem, mas agilidade suficiente para aplicar isso de forma veloz. “É preciso contar com uma equipe que disponibilize um conjunto de soluções rapidamente, que saiba filtrar as sugestões de soluções apresentadas e consiga traçar e dar andamento a um plano de ação”, orienta.

A avaliação, segundo Thais, deve ocorrer levando em conta o cenário vivido atualmente, onde, de uma forma ou outra, qualquer informação, sobretudo as negativas, correm de forma rápida na internet e nas redes sociais. “Dependendo da dimensão do caso, ir para a mídia deve ser uma ação quase imediata, mostrando ‘olha, nosso profissional errou, estamos analisando o caso’, pois isso mostra a preocupação com transparência”, comenta a especialista. Thais lembra que omitir ou distorcer fatos para a própria equipe pode aumentar ainda mais a repercussão de um fato negativo envolvendo a alta hierarquia de uma corporação.

Redes sociais
A consultora lembra um caso recente, em São Paulo, em que a possibilidade gerada pelas redes sociais canalizou uma grande manifestação popular. “De repente, um jovem cria um churrasco no Facebook para mobilizar quem se opôs a uma posição de negar a construção de metrô em determinada região e reúne milhares de manifestações, provocando a mobilização da opinião pública”, lembra, fazendo referência à polêmica gerada a partir de um grupo de moradores do bairro Higienópolis, bairro nobre de São Paulo, que se manifestou contra a instalação de uma estação do transporte público.

E, para as pequenas e médias empresas que acreditam que gestão de imagem é algo ao alcance apenas de grandes empresas, Thais orienta: “vale para todos. A informação está disponível em todas as esferas, e mesmo que o fato atinja uma pequena ou média, a cadeia de fornecedores, consumidores e colaboradores daquele estabelecimento ou organização terá a informação facilmente, por isso, ter um plano de ação para mobilizar a empresa é importante sempre”, defende.