Sorria, você está sendo observado! Veja como é feito o trabalho dos caça-talentos

O talento é notado por meio de variáveis, que vão desde a formação acadêmica até os resultados atingidos

SÃO PAULO – À frente de muitos processos seletivos, lá está ele: o headhunter, também conhecido como caça-talentos. Mas, como é feito esse trabalho? O que os caça-talentos observam nos candidatos a uma vaga de emprego? E, como desenvolver o tão requisitado talento?

De acordo com o sócio da empresa de recrutamento MindSearch, Alan Grange, o trabalho de um caça-talentos é encontrar os melhores profissionais, ou aquelas pessoas mais capacitadas tecnicamente e que, ao mesmo tempo, se encaixam no perfil solicitado pela empresa contratante. Para descobrir o perfil profissional requisitado, os headhunters
realizam várias reuniões com as companhias que estão oferecendo as vagas.

“Nessas reuniões, destacamos um de nossos sócios, aquele que possui conhecimentos técnicos similares aos do profissional que será contratado. Assim, o sócio com formação profissional na área de marketing será responsável pela busca e contratação de profissionais para marketing ou um sócio advogado de formação atuará na busca de advogados para o mercado jurídico de empresas e escritórios de advocacia”.

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A próxima etapa, na procura de um talento, consiste em analisar em qual segmento e em quais empresas o profissional desejado pode ser encontrado . “Nesta etapa, é necessária muita pesquisa para identificar empresas com culturas similares e que passaram por projetos ou dificuldades relacionadas ao desafio que o profissional encontrará. Desta forma, podemos ter maior certeza de que a adaptação do profissional à posição será mais fácil e tranqüila”, revela Grange.

Você tem talento?

Após a avaliação do candidato, chegou a hora de observar se essa pessoa tem talento ou não. Mas, como fazer isso? Quais são as características mais notáveis de um profissional talentoso? Segundo Grange, o talento é notado por meio de um conjunto de variáveis, que vão desde a formação acadêmica, empresas onde o profissional atuou, segmento de mercado, tempo de experiência, até os resultados atingidos e como foi a sua ascensão na carreira.

“Podemos apontar como “talentos” aqueles que conseguiram resultados expressivos em um curto período de tempo, nas mais diversas situações ao longo da carreira. Destacamos, especialmente, os profissionais que se sobressaem em momentos de dificuldade econômica, com soluções criativas para os mais variados tipos de problemas e abrangendo o maior número de possibilidades. É claro que, em cada área de atuação, o talento de um profissional tem características próprias. Não podemos comparar o talento de um engenheiro de projetos com o talento de um profissional de vendas”.

Entretanto, Grange destaca que há algumas características notáveis, que são muito valorizadas pelos caça-talentos. “A capacidade de liderança, o trabalho em equipe, a facilidade de comunicação junto aos mais diversos níveis hierárquicos da empresa, assim como a criatividade na solução de problemas e o foco em resultados, aliado à motivação por novos desafios, são ótimos diferenciais profissionais”.

Não pode!

Grange ressalta que não há uma regra específica para exclusão de um candidato no processo seletivo, mas existem alguns fatores que podem excluir o profissional de uma vaga.

“É necessário entender qual a necessidade de cada empresa na contratação de um profissional. A agressividade nos negócios pode ser um ponto positivo na cultura de uma determinada instituição, porém, pode ser o fator determinante para a exclusão do profissional de um processo em outra. Por isso, é fundamental a compreensão total do perfil a ser contratado”.

Entretanto, Grange finaliza afirmando que se tivéssemos que pontuar fatores de exclusão em um processo, sem dúvida, a falta de ética, de transparência ou a incoerência nas informações dadas para um headhunter e o “falso interesse” em um processo seletivo, utilizado por alguns candidatos apenas para alavancar sua posição na empresa onde trabalha atualmente, seriam as principais razões de rejeição.