Sim, é possível! Veja como, apesar da crise, conseguir aumento salarial

Existem dois tipos de reajustes: o primeiro segundo o custo de vida, negociado pelo sindicato, e o outro por mérito

SÃO PAULO – Ninguém nunca está satisfeito com o que ganha, e essa é uma verdade indiscutível. Até mesmo o principal executivo de uma grande empresa, cujos ganhos parecem exorbitantes aos olhos da maioria da população, é capaz de estar satisfeito. “Numa hora dessas, é válido pensar se o salário é, realmente, a causa da falta de motivação”, explica a consultora da DBM, Irene Azevedo.

Existem alguns fatores determinantes que nos impedem de reclamar do quanto ganhamos, bem como há aqueles que constituem motivos legítimos. Para início de conversa, quando aceitamos a proposta de trabalho de determinada empresa, concordamos com o salário ofertado. Por isso, não podemos contestar.

Quando podemos reivindicar aumento?

Por outro lado, há outras situações em que temos o direito de reclamar. Uma delas ocorre quando a empresa promete e não cumpre. A outra, quando se ganha mais responsabilidades e mais funções, mas o salário se mantém intocado. “Nesses casos, o ideal é esperar de três a quatro meses, mostrar os resultados, e então pedir o aumento”, aconselha.

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Porém, é essencial saber separar: ganhar mais trabalho não significa ganhar mais responsabilidades. “Quando há aumento de trabalho, o funcionário faz mais do mesmo, e não necessariamente tem direito a um salário maior. No entanto, quando ele ganha mais responsabilidades, passa a ocupar uma posição diferenciada dentro da empresa e ganha autonomia para tomar determinadas decisões. Teoricamente, o ganho de responsabilidades deve vir acompanhado do aumento salarial”.

A dica da Irene, para quem ganhou mais responsabilidades, é, após cerca de três meses, fazer um balanço dos resultados alcançados, descortinar junto ao líder se está no caminho certo, e, somente depois, questionar se haverá um reajuste. “Com isso, fica mais fácil de pleitear o ganho”.

Não conseguiu aumento?

Quando a empresa não dá o aumento salarial, que é de direito do colaborador, e o líder não consegue explicar o motivo de forma satisfatória, o resultado é a queda da motivação. “O profissional passa a se sentir desvalorizado”, garante a consultora da DBM. “Toda vez que a empresa dá mais responsabilidades a alguém, ela precisa fazer uma adaptação em sua remuneração”, afirma a especialista.

Por isso, vale a pena o profissional tomar uma decisão crítica e se questionar: “essa é a empresa que quero para mim? Será que preciso ficar num lugar onde não sou valorizado?”.

No mundo corporativo, existem dois tipos de aumentos salariais: o reajuste segundo o custo de vida, geralmente negociado pelo sindicato, e o reajuste por mérito. “As companhias devem criar condições para que os funcionários se motivem, recebam de acordo com seus esforços e, principalmente, tenham uma vida digna”, afirma.

“Toda organização que tem um sistema de cargos e salários contempla aumentos por mérito, independentemente de ela passar por uma crise ou não. Aliás, justamente nas crises, elas precisam manter os funcionários valiosos, reajustando os salários daqueles que merecem, fizeram por onde e foram avaliados como tal”, finaliza.