Setor de private equity busca profissionais com foco em gestão de caixa

"As companhias do segmento demandam profissionais com sólidos conhecimentos de gestão", diz Rogério Cher

SÃO PAULO – Profissionais preparados para atuar em ambientes pouco estruturados, com foco em gestão de caixa, capacidade de entregar resultados, assumir riscos e entender a lógica do capital empreendedor. Essa é a preferência de 69,2% das companhias de private equity e venture capital*.

“O perfil do profissional de private equity é diferenciado. As companhias do segmento demandam profissionais com sólidos conhecimentos de gestão, mas capacidade empreendedora altíssima”, explica o vice-presidente da DBM e responsável pela área da consultoria dedicada ao tema private equity e empreendedorismo, Rogério Cher.

De acordo com pesquisa realizada pela DBM, em parceria com a ABVCAP (Associação Brasileira de Private Equity & Venture Capital), 92,3% dos executivos e líderes do setor avaliam que suas empresas devem contratar mais este ano, seja por conta de perspectivas de crescimento, seja pela necessidade de ter profissionais mais experientes em seus times. Apenas 7,7% dos entrevistados informam que não haverá novas contratações este ano, por conta da crise financeira.

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A pesquisa mostrou ainda que, na hora de contratar, 11,5% dos entrevistados informaram que preferem executivos que já tenham experiência anterior no segmento, enquanto 7,7% acabam enxergando com melhores olhos aqueles advindos de grandes corporações.

Áreas de atuação

Novas oportunidades de trabalho devem surgir, principalmente na área financeira. Da base de entrevistados, 44,74% acreditam haver demanda crescente por executivos que possam atuar em conjunto com CFOs (diretor financeiro – chief financial officer, na sigla em inglês). Outros 21,06% informam que haverá vagas para executivos que tenham experiência para atuar como CEOs (diretor executivo – chief executive officer, na sigla em inglês) das companhias nas quais os fundos alocam recursos.

No que se refere aos salários ofertados pelas empresas de private equity e venture capital, 68% pretendem manter o nível atual de remuneração, por meio de políticas que já são adotadas pelo setor, como remuneração variável. Já uma parcela de 12% acredita que as remunerações devem se elevar este ano e 20% creem na queda, dados os efeitos da crise financeira.

Diretoria indicada ou escolhida

O levantamento ainda confirmou a influência dos executivos de private equity e venture capital na formação do management das companhias nas quais seus fundos investem. Para se ter uma ideia, mais da metade (58,62%) dos gestores entrevistados participa, junto com a empresa na qual o fundo de PE e VC investe, da indicação nos nomes que irão compor sua direção.

Outros 6,9% informaram que escolhem especificamente quem será o executivo à frente da área financeira ou de controladoria, ao passo que 3,45% disseram que determinam quem será o presidente da investida.

Além disso:

  • 3,45% disseram não abrir mão de indicar todos os managers que atuarão nas empresas de cujo capital participam;
  • 10,34% informaram que escolhem apenas um ou mais conselheiros;
  • 6,9% responderam que não têm qualquer influência no processo de composição do time de gestores.

No que se refere ao meio adotado pelos executivos de PE e VC para recrutar tais profissionais, a rede de relacionamento é a principal, com 37,5% dos votos. Na sequência, vem a opção de contratar headhunters, apontados por 29,17% dos entrevistados como fonte primordial de nomes de candidatos.

Perspectivas do setor

Segundo os entrevistados, que respondem pelas 30 maiores empresas do segmento em operação no País, a perspectiva para o setor é positiva, graças à previsão de novos investimentos. Para 36% dos entrevistados, os preços mais competitivos dos ativos brasileiros farão com que os fundos de private equity e venture capital invistam mais.

Já para outros 20%, os investimentos acontecerão com ou sem crise. Na contramão, 28% informaram que os investimentos devem diminuir este ano, por conta da crise e 12% afirmaram que muitas companhias do setor fizeram aquisições alavancadas e agora devem ajustar o volume de suas atividades à nova realidade.

Na avaliação dos participantes da pesquisa, as empresas atuantes nas áreas de infraestrutura, transportes, logística, agronegócios e energia são as que tendem a receber mais investimentos dos fundos da categoria ao longo de 2009.

* Private Equity ou Venture Capital: termos que denominam uma forma de financiamento alternativa, utilizada por empresas, de médio ou grande porte, para garantir o desenvolvimento e a expansão de suas atividades. As empresas alvo deste investimento temporário, em geral, gozam de taxas significativas de crescimento e nível de risco médio ou baixo. Os termos podem também descrever os investidores que atuam na aquisição de participações em empresas existentes, de maior porte, e que não requeiram a colaboração direta do investidor na gestão do negócio.