Serviços como advocacia e engenharia empregam mais mulheres que setor da saúde

Dados do Dieese apontam que o segmento de serviços abrange 80,3% das mulheres que têm ensino superior completo

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SÃO PAULO – O setor de serviços especializados – que inclui carreiras como advocacia, contabilidade e engenharia -, já emprega mais mulheres com ensino superior do que o setor de saúde e de educação. 

O dado, registrado no estudo Mulher e Trabalho, do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), aponta que o segmento de serviços abrange 80,3% das mulheres que têm ensino superior completo e 47,6% das que possuem até ensino superior incompleto. A pesquisa foi realizada na região metropolitana de São Paulo.

Superior completo
Entre as graduadas, caiu o percentual das empregadas no segmento de educação, que tinha 23% das mulheres com ensino superior completo em 2000 e contou com 20,2% delas em 2010.

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Os serviços especializados, que representavam 12,8% das ocupações em 2000 agora são 13,6% e a área de saúde emprega 12,4% das diplomadas. Há dez anos, saúde empregava 13,4% das mulheres com diploma.

O estudo estabelece que “ao lado dos tradicionais segmentos econômicos ocupados pelas mulheres, como educação e saúde, outras oportunidades de inserção produtiva vêm se abrindo para o segmento feminino mais escolarizado. A evolução da presença feminina no mercado tem sido acompanhada por avanços importantes na qualidade de seus empregos”, ressalta.

Entre as mulheres que não têm ensino superior completo, a distribuição é um pouco diferente, sendo que o comércio exerce um peso maior do que entre as graduadas (17,8% a 7,2%). No próprio setor de serviços, o setor de saúde é o que mais emprega as trabalhadoras sem diploma (5,7%), seguido dos serviços especializados (4,1%) e da educação (2,8%).

Inserção no mercado
As mulheres que têm ensino superior completo já somam 17% do total das que compõem a População Economicamente Ativa. O índice é bem maior do que o registrado entre os homens: o índice chega a 13% entre eles. O estudo aponta ainda que “o aumento da escolaridade implica maiores possibilidades de inserção produtiva, sobretudo entre as mulheres”.

Enquanto, há dez anos, as mulheres eram 48,7% da população economicamente ativa que possui ensino superior (contra 51,3% dos homens), atualmente, elas são 53,6% (contra 46,4% dos homens).

Segundo o estudo, entre as mulheres que não possuem ensino superior o nível de desemprego é de 16,5%, e de apenas 6,2% entre as que possuem curso de graduação.

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Comparando a evolução dos níveis de ocupação de homens e mulheres nos últimos dez anos, perebe-se que o crescimento para as mulheres (32,6%) foi bem maior que o dos homens (18%). As trabalhadoras com algum curso superior concluído puxaram esse aumento, já que estão em um número 64,3% maior em 2010 do que o registrado em 2000.

Faixa etária
Entre as mulheres ocupadas com faculdade concluída, a maior parte (51,1%) tem entre 25 e 39 anos, 23,4% têm entre 40 e 49 anos, 14,2% têm entre 50 e 59 anos, 8,2% possuem até 24 anos e apenas 3,1% estão com 60 anos ou mais. Entre as que não possuem ensino superior, há um percentual maior de jovens (22,1% têm até 24 anos).

Rendimentos
O estudo também aborda as diferenças salariais entre as mulheres com e sem curso superior. A começar, existe o fato de as primeiras exercerem jornada média semanal de 37 horas semanais, contra 39 horas das segundas. Outra diferença é o nível de rendimentos: enquanto a remuneração daquelas com ensino superior foi, em média, de R$ 15,7 por hora, a das demais foi de R$ 4,6 por hora.

Segundo o estudo, as informações evidenciam que completar o ensino superior significa, de fato, alcançar postos mais qualificados e bem remunerados. “As informações mostram alguma ampliação das oportunidades de trabalho para as mulheres em direção a ocupações mais prestigiosas, tradicionalmente masculinas”.

Mesmo assim, o número de mulheres com ensino superior completo entre o total da população economicamente ativa feminina ainda é pequeno. As que possuem graduação são apenas 11,5%, ou seja, 88,5% não têm a capacitação. Esse número era ainda menor em 2000 (8,4%).