Sem vôo radical: em tempos de crise, profissional deve minimizar riscos

Postos de trabalho em empresas sólidas, consideradas grandes, bem posicionadas serão os mais procurados

SÃO PAULO – A crise financeira global está virando o mundo do avesso e ditando uma nova forma de pensar ao mercado financeiro, aos governos, às empresas e aos trabalhadores. É verdade que tem gente sendo demitida, mas muitos outros estão sendo contratados. É verdade ainda que o valor do bônus irá diminuir, porém há quem esteja sendo promovido.

Para descortinar como ficará a relação entre profissionais e empresas, o presidente para a América Latina da consultoria DBM, Cláudio Garcia, o vice-presidente para a AL, José Augusto Figueiredo, e o vice-presidente de Operações da companhia, Rogério Cher, fizeram uma análise do momento vivido.

A busca pela segurança

O cenário ainda é incerto, mas ele sugere que os profissionais deverão valorizar menores riscos, fazendo dessa variável um imperativo na hora de tomar decisões. Assim, os postos de trabalho em empresas sólidas, consideradas grandes, bem posicionadas e capazes de oferecer planos de carreira tradicionais e de longo prazo serão os mais procurados.

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A conduta arriscada, em termos de planejamento de carreira, condizente com o mercado altamente aquecida que se via até poucos meses, vem sendo abandonada, pouco a pouco.

Todavia, profissionais inovadores, que testam e ousam repensar as possibilidades tendem a continuar em alta. Afinal, este é um momento de mudanças, ajustes à nova realidade.

No que se refere à renda dos profissionais, os ganhos deverão deixar de contar com os bônus agressivos de até então. A contrapartida será a ampliação da remuneração fixa, mas alinhada com os novos tempos, na opinião dos especialistas da DBM.

Trabalho nas múltis

É importante dizer que o temor diante do risco de prolongação do tempo de “exuberância irracional” definirá uma nova ordem internacional, na qual o papel dos Estados Unidos como principal ator, para nós, acaba.

Isso amplia a força das empresas do Brasil, país percebido pelo resto do mundo, pela primeira vez, como uma parte da solução do problema, e não como um membro do grupo de economias a ser salva.

A demanda interna e a capacidade de gestão dos executivos brasileiros em momentos de crise colocam as multinacionais verde-amarelas em outro patamar. O profissional em cargo estratégico que atua em uma delas deve continuar sendo valorizado, ao mesmo tempo em que a procura por pessoas talentosas para atuar nesse grupo seleto de empresas pode se manter aquecida.

Cenário similar pode ser visto entre as subsidiárias de empresas multinacionais no Brasil, que poderão ter seus times ampliados, com o intuito de compensar as perdas vivenciadas por suas matrizes.

Enfim, o momento pode ser único para os profissionais brasileiros!