Sem reajuste dos salários, economia do Japão não crescerá

Esta é a visão dos sindicatos dos trabalhadores japoneses, empresários temem que aumento de custos prejudique exportações

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SÃO PAULO – As renegociações salariais começam em Março no Japão. Neste ano, as centrais sindicais já deixaram claro que esperam um aumento dos salários, e para garantir isso já demandaram que a relação entre salários e lucro das empresas japonesas seja elevada.
Nos últimos anos, as empresas japonesas passaram por um forte processo de reestruturação, o que fez com que essa relação baixasse. A expectativa dos sindicatos é que isso seja revertido nas negociações desse ano.
Consumo vs. Exportações

Em defesa desse argumento, a Confederação Nacional dos Trabalhadores Japoneses alega que sem uma recuperação dos salários a economia não conseguirá se recuperar, o que acabaria por prejudicar as próprias empresas.
Por sua vez, a Federação das Empresas Japonesas acredita que a relação entre os gastos com salários e o lucro das empresas era muito elevada, de forma que o recuo dos últimos anos reflete um reajuste necessário.

Mais ainda, os empresários afirmam que os salários do Japão já estão em um patamar bastante elevado frente aos seus competidores na Ásia, notadamente a China, e que uma elevação agora poderia comprometer a competitividade dos produtos japoneses no mercado internacional.
Dificuldade está nas pequenas empresas

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Apesar da importância das exportações para a economia japonesa, a maior parte dos analistas econômicos acredita que sem uma revisão dos salários será difícil garantir a recuperação da economia. E para tanto, lembram que o PIB japonês caiu 0,5% em uma base anualizada no último trimestre de 2004.
Outro argumento em favor dos reajustes reside no fato de que cerca de 40% das empresas japonesas listadas na bolsa estão com baixo nível de endividamento e dinheiro para gastar. A estimativa é do Instituto de Pesquisa Shinko, uma entidade privada. Depois de uma ligeira recuperação, a economia japonesa voltou a dar sinais de desaquecimento, e o reajuste dos salários permitiria o impulso no consumo tão necessário para sustentar a recuperação.
Recuperação a vista?

O grande problema reside, contudo, nas pequenas empresas, onde as negociações salariais não são tão fáceis. Procurando ajudar com as negociações nesse segmento do empresariado, a Confederação Nacional dos Trabalhadores Japoneses (CNTJ) já anunciou que pretende participar das discussões.
O anúncio foi bem recebido pelos sindicatos que atuam entre as pequenas empresas, que apesar disso seguem céticos quanto ao apoio que efetivamente será dado pela CNTJ. Sem um reajuste na remuneração dos trabalhadores das pequenas empresas, eles não acreditam que a economia encontre força suficiente para se recuperar. A tendência de substituir trabalhadores integrais por trabalhadores temporários ou por tempo parcial teria contribuído, segundo estimativas dos sindicatos, para uma retração de 1,7% no PIB do Japão.

No período entre Outubro e Dezembro do ano passado, os salários dos trabalhadores japoneses registraram o primeiro aumento em seis trimestres, o que pode sugerir que o período de recuperação salarial já começou.