Sem acordo: insatisfeitos com negociação, servidores do INSS mantêm greve

Representantes dos funcionários públicos decidiram manter a paralisação no atendimento, que já dura 70 dias

SÃO PAULO – A reunião desta terça-feira (09) entre os servidores do INSS (Instituto Nacional da Seguridade Social) e Sérgio Mendonça, secretário de recursos humanos do Ministério do Planejamento, terminou sem acordo.

Os representantes dos funcionários públicos decidiram manter a paralisação no atendimento, que já dura 70 dias – desde 02 de junho.

De acordo com a categoria, o governo não apresentou propostas de negociação conjuntas para a situação dos trabalhadores do Ministério da Saúde e do Trabalho, somente para o INSS. Em nota oficial, o Comando Nacional da Greve avaliou que o governo foi intransigente e não buscou uma proposta consensual.

Os dois lados

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Mesmo confirmando a versão dos trabalhadores, Sérgio Mendonça diz que “foram os grevistas que colocaram um muro na negociação”. Ele ainda assegurou que o ministro Paulo Bernardo “usará todos os meios legais”, como processos administrativos, para que os postos de atendimento do Instituto voltem a funcionar normalmente.

“A Justiça definiu que a prestação de serviços do instituto é um dever constitucional. Por isso, temos que garantir a continuidade de um serviço prestado à população. Não podemos fazer uma gestão irresponsável ou fora da lei”, disse.

Por sua vez, os representantes de grevistas afirmaram não temer decisões judiciais e que também as usam.

O balanço da paralisação, segundo o Ministério da Previdência, indica que a greve afetou o atendimento de 21,45% das agências no País. O restante prestou serviços de forma parcial. O órgão também informa que 2,5 milhões de pessoas ficaram sem atendimento somente em São Paulo durante o período de greve.

De acordo com o Comando Nacional, o percentual da greve atingiu 80%.

O que pedem os servidores

A paralisação começou com um protesto contra o reajuste de 0,1% oferecido pelo governo. A categoria pede uma reposição emergencial de 18% para servidores do instituto e o pagamento de uma diferença salarial de 47,11% para trabalhadores da Saúde e Trabalho.

As negociações estavam paradas desde 22 de julho, quando foram oferecidos pelos negociadores R$ 140 milhões em gratificações aliadas à produtividade, a partir do ano que vem.

Em 10 dias

O juiz da 9a Vara da Justiça Federal em Brasília, Antônio Corrêa, estabeleceu um prazo de dez dias para que a União e o INSS adotem as medidas necessárias para normalizar o atendimento. Se não houver acordo, as instâncias deverão arcar com uma multa diária de R$ 100 mil.