Saúde e trabalho: médico propõe novo conceito para check up empresarial

Realização da bateria de exames uma vez por ano não garante que o profissional não terá nenhum tipo de doença

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SÃO PAULO – Correria, sedentarismo e má alimentação. Hábitos da vida corporativa atual fazem com que os executivos prejudiquem a própria saúde. Preservá-la, por sua vez, não deve limitar-se à realização do check up promovido todos os anos pelas empresas. De acordo com o médico cardiologista, Flávio José Kanter, a realização da bateria de exames uma vez por ano não garante que o profissional não terá nenhum tipo de doença.

“Todo mundo faz exame somente uma vez por ano, não precisa ser assim. É como a revisão do carro antes de ir viajar: ela não garante que o carro não terá nenhum tipo de problema depois da viagem”, afirmou o médico. O executivo realmente deve preservar a saúde, já que um possível afastamento prejudicaria a equipe. Para o médico, porém, a prática do check up está ultrapassada.

Novo conceito

O médico coloca em jogo a idéia mecanicista da realização da revisão da saúde feita uma vez por ano. “A qualificação do executivo não deve ser usada para nortear quando e como o profissional precisa fazer check up. Proponho algo diferente daquele padrão em que o executivo entra na linha de produção de exames de manhã e sai à noite, tendo feito tudo”, afirmou Kanter.

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Na opinião dele, o ideal é que todos tenham um médico com acompanhamento individual, que saiba o histórico da família do paciente e as doenças que já teve. Se uma funcionária tem risco de sofrer de doenças do colo de útero, por exemplo, o médico deve solicitar exames para verificar isso. “Hoje, o que se recomenda é uma revisão periódica de saúde com o próprio médico, no lugar de uma bateria de exames. Este profissional deve conhecer o perfil do paciente, sua história pessoal e familiar, seus hábitos e fatores de risco”.

O check up começou a ser realizado na década de 1960. A idéia era realizar uma bateria de exames, para que o funcionário não tivesse mais risco de contrair doenças e se tornasse mais confiável para a empresa. Tanto neste caso como no proposto por Kanter, é a companhia que custeia os exames. “O que se vê é que o novo conceito é mais econômico. Você pensa que é mais caro ficar indo ao médico, mas a empresa economiza em exames desnecessários”, disse.

Prevenção

Outra falha encontrada nos check ups realizados atualmente é que os médicos não trabalham com a prevenção ou agravamento das doenças. Pesquisa realizada pela revista Annals of Internal Medicine mostrou que, a cada três pacientes fumantes que passavam pelo processo, apenas um era aconselhado a parar. De onze sedentários, somente um recebeu a orientação de se tornar ativo.

“A pesquisa da revista revelou que as pessoas entravam e saíam das sala sem nenhum tipo de recomendação básica, como deixar de fumar e praticar exercícios físicos. É um monte de informação sem gerar atitude”, disse Kanter.