Salários deverão finalmente subir no Japão, com o crescimento do país

As negociações entre organizações trabalhistas e empresas deverão girar em torno do tema, e deverão dar resultado

SÃO PAULO – No Japão, o cenário econômico não poderia estar melhor para as uniões trabalhistas nesta época de negociações com as empresas. Com os sinais de boa recuperação no país, eles querem salários maiores.

Dados divulgados pelo governo nesta sexta-feira, dia 17, mostraram que a segunda maior economia do mundo, depois de anos de fraco desempenho, cresceu cinco vezes mais que os EUA no quarto trimestre do ano passado.

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Assim, a tradicional “ofensiva de primavera”, como são chamadas essas rodadas de negociação, deverão ser intensas, com a forte reivindicação por aumentos salariais, após anos de salários congelados.

Melhores salários e condições de trabalho

A boa notícia é que as firmas parecem estar dispostas a conceder os aumentos. Uma pesquisa realizada pela Reuters com 117 companhias japonesas mostrou que a média de reajuste salarial para o ano empresarial, que começa em abril, ficou em 1,87%.

A título de exemplo, segundo Hitoshi Kawaguchi, vice presidente de Relações Humanas da Nissan Motor, segunda maior automobilística do Japão, cerca de 80% da força de trabalho deverá receber aumento.

A Toyota, por exemplo, planeja aumentar o salário médio mensal em 1.000 ienes, além dos 6.900 ienes concedidos anualmente por ano de trabalho na empresa. Ainda que o aumento previsto, em termos percentuais, não chegue a 1% do salário, para as centrais sindicais é simbólico, pois ilustra a maior confiança do empresariado com relação à situação da economia.

Não só os salários serão elevados. Há também negociações, mais enfatizadas pelas empresas que os aumentos em si, no que diz respeito a melhores condições de trabalho, como o fim das horas extras e benefícios a pais de crianças pequenas.