Salários devem crescer menos e abaixo da inflação em 2009, diz pesquisa

Dados mostram estimativa de evolução do salário-base em 2009 entre 5% e 6,5%; em 2008, reajuste foi de 7% a 8,5%

SÃO PAULO – Pesquisa divulgada nesta terça-feira (31) pela Mercer revelou que os reajustes salariais de 2009 devem ficar abaixo da inflação e dos aumentos praticados em 2008. De acordo com os dados, a estimativa de evolução do salário-base em 2009 é algo em torno de 5% e 6,5%. No ano passado, o crescimento foi entre 7% e 8,5%.

“Quando a economia está crescendo, o salário cresce acima da inflação. Em recessão forte, ele cresce igual à inflação ou menor do que ela. Então, dificilmente vamos esperar um acordo coletivo acima da inflação neste ano”, afirmou o diretor de Desenvolvimento de Negócios da Mercer, Marcelo Ferrari.

Conforme ele explicou, neste ano, quando os sindicatos negociarem, eles “tirarão o pé do acelerador”, porque estarão preocupados não com o salário, mas com a manutenção dos empregos.

Empresas

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A pesquisa foi realizada com 171 empresas, sendo 25% do mercado financeiro, 50% da indústria e 25% do setor de serviços. A proporção das companhias com capital aberto e nacional é a mesma, de 40% cada. Mais da metade das empresas ouvidas (65%) possui acima de 1.001 funcionários e, em 30% dos casos, o faturamento é acima de US$ 1 bilhão anuais.

Neste universo, a pesquisa constatou que 30% das empresas diminuíram o reajuste salarial para este ano, em comparação com o que havia sido planejado. Essa redução foi de uma média entre 15% e 50% dos salários dos funcionários.

“Quando a situação está instável, o orçamento é móvel. A situação vai evoluindo e as empresas têm de ir se atualizando. Até agora, ninguém fechou o orçamento para valer”, ponderou Ferrari.

A crise

De acordo com o diretor da Mercer, todas as empresas na pesquisa foram afetadas pela crise, seja de maneira mais intensa ou não. A diminuição no reajuste salarial é uma forma de fazer com que elas mantenham a saúde, mesmo num momento de turbulência, e não demitam.

“O momento mais crítico está sendo março, mas a gente vai ficar no fundo do poço um bom tempo. Mesmo que as coisas mudem muito, as empresas não mudam rápido”, afirmou.