Salário não é tudo: estudo desvenda o que é preciso para ser feliz no trabalho

Mais importante é ter interesse pelo que faz. Mas o fator, isolado, não garante que alguém fique no emprego

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SÃO PAULO – O salário nem sempre é a resposta para a satisfação no trabalho, de acordo com o quinto estudo anual da empresa de orientação vocacional e treinamento do Reino Unido, City & Guilds Happiness, publicado esta semana. Constatou-se que, na realidade, ter interesse pelo que se faz é o fator número um, quando o assunto é felicidade.

A pesquisa foi realizada com mil trabalhadores do Reino Unido, de 20 profissões diferentes, em março e abril de 2008. A contradição é que, enquanto trabalhadores britânicos protagonizam aumento do custo de vida e da jornada de trabalho, deixam uma mensagem um tanto inusitada aos empregadores: a remuneração não é garantia de felicidade no emprego.

Só gostar do que faz também não é suficiente

É verdade, no entanto, que o simples interesse pelo trabalho, isolado, isto é, sem um salário que atenda às expectativas dos profissionais, sem plano de carreira e sem uma boa liderança, por exemplo, não é suficiente para manter alguém no emprego. A felicidade no trabalho depende de um conjunto de manobras por parte das empresas.

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A necessidade desse conjunto de fatores ficou clara na pesquisa: 57% das pessoas decidiram se manter no emprego porque tinham um grande interesse pelo trabalho que desenvolviam, 56% ficaram graças ao bom relacionamento com os colegas, 48% porque sentem que, no atual emprego, têm qualidade de vida e conseguem equilibrar trabalho e vida pessoal, e 44% ficaram no emprego porque o salário era compensador.

Curiosamente, esteticistas foram apontadas pelo estudo como sendo as profissionais mais felizes do Reino Unido, graças a esse conjunto de fatores. Por outro lado, construtores e gerentes e diretores de bancos são os mais infelizes.

City & Guilds Happiness demonstrou que as empresas precisam expandir seu pacote de benefícios, se quiserem manter seus funcionários. É verdade que muitas delas (43%) oferecem bônus, mas apenas uma, a cada cinco, adotam programa de jornada de trabalho flexível. Além disso, somente 10% permitem o trabalho em casa, muito embora a qualidade de vida seja apontada como essencial pelos profissionais.

Dificuldade de reter talentos

Por conta das rápidas mudanças globais, cuja primeira conseqüência é o aumento do nível de exigência por parte dos profissionais, as empresas enfrentam hoje dificuldades enormes no que tange à retenção de talentos.

“A preocupação com a felicidade no ambiente de trabalho está elevando o nível de responsabilidade das empresas, que não podem ignorar os fatos. As organizações não podem mais confiar nas recompensas estáveis e nas políticas de reconhecimento que falham em influenciar os profissionais, sendo insuficientes no combate ao estresse”, analisa o diretor da City & Guilds Happiness, Bob Coates.

“A aproximação pouco realista tende a aumentar o número de trabalhadores desmotivados e menos produtivos, e até mesmo ocasionar perdas de funcionários à concorrência”, acrescentou.

Salário e motivação

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Para o gestor de Recursos Humanos Washington Sorio, ao associar teorias utilizadas em psicologia na questão do salário como fator de motivação, identifica-se que a remuneração contribui para as necessidades humanas. “As pessoas desejam dinheiro porque lhes permite não só a satisfação de necessidades fisiológicas e de segurança, mas também dá plenas condições para a satisfação das necessidades sociais, de estima e de auto-realização”.

Todavia, o dinheiro não é um fim, ele não é a chave para a motivação, mas o meio que faz com que as pessoas atendam suas necessidades e, aí sim, se motivem. “O salário não é fator de motivação, quando analisado isoladamente. A troca fria de produção por salário não gera satisfação ao empregado. É apenas recompensa justa pelo seu trabalho”.