Salário, cargo e status já não bastam. Descubra o novo trio que atrai profissionais

Estudos mostram que empresas continuam vendendo vagas pelos argumentos de sempre, enquanto candidatos passaram a priorizar confiança, transparência e bem-estar.

Marcelo Monteiro

Remuneração, cargo e status continuam importantes, mas deixaram de ser o principal diferencial competitivo das empresas (Foto: Inteligência Artificial)
Remuneração, cargo e status continuam importantes, mas deixaram de ser o principal diferencial competitivo das empresas (Foto: Inteligência Artificial)

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Historicamente, anunciar uma vaga de trabalho seguia um roteiro quase automático.
Salário competitivo. Cargo atrativo. Perspectiva de crescimento. Esses três elementos costumavam ser suficientes para chamar a atenção dos profissionais mais qualificados.

Mas estudos mais recentes sobre mercado de trabalho mostram que muitas empresas continuam apresentando suas oportunidades exatamente dessa forma — enquanto os candidatos passaram a fazer outras perguntas.

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Antes de analisar apenas a remuneração, um número crescente de profissionais quer entender quem será seu líder, como é a cultura da empresa, quais critérios orientam promoções e se haverá espaço para crescer sem abrir mão da qualidade de vida.

Em suma, a remuneração, o cargo e o status continuam importantes. Mas deixaram de ser o principal diferencial competitivo. As empresas continuam falando de salário. Os candidatos fazem outras perguntas:

Ambiente determina nível de engajamento

O estudo Executive Compensation & Talent Trends 2026, da Page Executive, ajuda a explicar essa mudança.

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Embora 59% dos executivos latino-americanos apontem a remuneração competitiva como um dos principais fatores de satisfação profissional, o levantamento mostra que os líderes atuais também procuram confiança na liderança, alinhamento de valores, transparência, oportunidades de desenvolvimento e apoio ao bem-estar.

O dado mais revelador aparece logo em seguida. Mesmo com 60% declarando estar satisfeitos com a remuneração, 94% permanecem abertos a novas oportunidades profissionais.

Se salário fosse suficiente para garantir permanência, dificilmente um número tão elevado continuaria atento ao mercado.

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“Os executivos não permanecem por pacotes financeiros mais elevados, mas por ambientes onde possam se desenvolver. A remuneração estabelece a base, mas hoje a clareza, a confiança e o bem-estar determinam o nível de engajamento”, afirma o estudo.

Na prática, o levantamento sugere que o processo de escolha mudou. O salário continua abrindo a conversa. Mas já não é ele quem a encerra.

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Novo diferencial não aparece no holerite

Ao perguntar o que realmente procuram em uma organização, a pesquisa da Page Executive encontrou um padrão bastante diferente daquele que predominava há poucos anos.

Os executivos colocam entre as prioridades alinhamento de valores e confiança na liderança, oportunidades de crescimento e desenvolvimento, bem-estar e equilíbrio entre vida pessoal e profissional e estruturas de remuneração transparentes e justas.

Outro dado chama atenção. Quando questionados sobre o que mais temeriam perder ao trocar de empresa, os entrevistados colocaram a cultura organizacional acima da remuneração e das perspectivas de carreira.

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A mensagem é clara: o diferencial competitivo das empresas passou a depender da experiência que o profissional acredita que terá depois da contratação.

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Marketing da vaga ficou para trás

Essa mudança aparece também em outros levantamentos.

Pesquisa da Michael Page mostra que 71% dos profissionais colocam o equilíbrio entre vida pessoal e profissional entre os fatores mais importantes da carreira, percentual ligeiramente superior ao da remuneração (70%).

Já 54% afirmam que a cultura organizacional influencia diretamente a decisão de permanecer em uma empresa, enquanto 26% destacam o bem-estar como um fator relevante na escolha do empregador.

Os números mostram que muitos profissionais continuam buscando crescimento.
Mas crescer deixou de significar apenas conquistar um cargo maior ou um salário mais alto.

Cada vez mais, desenvolvimento, liderança, ambiente de trabalho e qualidade de vida entram na mesma equação.

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Executivos querem entender processos

Ao mesmo tempo, a edição europeia do estudo da Page Executive mostra que 43% dos executivos consideram o salário a informação mais importante em um anúncio de vaga, mas 40% acreditam que maior transparência salarial ajudaria as empresas a contratar melhor.

Não é uma contradição. É um sinal de que os profissionais continuam querendo saber quanto vão ganhar, mas também querem compreender como as decisões são tomadas, quais critérios orientam promoções e o que esperar da organização no longo prazo.

“A transparência salarial está acelerando na Europa, impulsionada tanto pela regulamentação quanto pelas novas expectativas dos candidatos”, diz Miguel Portillo, diretor-geral da Page Executive na Espanha.

“Os executivos esperam cada vez mais clareza não apenas sobre salários, mas também sobre como as decisões são tomadas e como a progressão na carreira é definida”, prossegue.

A vaga continua sendo a mesma. Quem mudou foi o candidato.

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Novas armas na guerra por talentos

Durante muito tempo, empresas competiram por talentos oferecendo três promessas: salário, cargo e status. Esses fatores continuam importantes.

Mas os estudos indicam que já não são suficientes para convencer os melhores profissionais a aceitar — e principalmente a permanecer — em uma organização.

A disputa por talentos passou a ser travada em outro terreno. As empresas que conseguem se destacar são aquelas capazes de transmitir confiança, oferecer relações mais transparentes e construir ambientes onde desenvolvimento profissional e bem-estar deixam de ser promessas e passam a fazer parte da experiência cotidiana.

O salário continua abrindo portas. Mas, cada vez mais, confiança, transparência e bem-estar são os fatores que, de fato, convencem as pessoas a atravessá-las — e permanecer do lado de dentro por mais tempo.

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Marcelo Monteiro

Formado em Jornalismo pela UFSM, Marcelo Monteiro atua há mais de 30 anos na imprensa. Trabalhou em veículos como Zero Hora, Correio Braziliense, Gazeta Mercantil, Hoje em Dia e Diário Catarinense. É autor dos livros "U-507" (2012) e "U-93" (2014) e dirigiu os documentários "Delírios" (2021) e "Além do Limite" (2022).