Saiba qual é o novo perfil do profissional de publicidade e propaganda

Publicitário deve estar cada vez mais atento a mudanças sociais e econômicas e novas plataformas de divulgação da marca

SÃO PAULO – Celulares, tablets e outros dispositivos móveis fazem parte da realidade de milhões de brasileiros. Ao contrário do cenário visto em um passado não muito distante, quando as marcas batalhavam por exíguos espaços em jornais, redes de TV e rádio e outras mídias convencionais, hoje, as empresas precisam pensar em como se inserir no cotidiano de pessoas verdadeiramente metralhadas diariamente por milhares de informações, transmitidas por meios diferentes.

E é nesse turbilhão de marcas e nesse mar de informações que trabalha o profissional de publicidade. É de se esperar que o publicitário cumpra a promessa que o nome da sua profissão carrega: difundir ideias, consolidar marcas e promover relacionamentos, mas esse desafio é cada vez mais complexo.

E qual é o perfil do profissional de publicidade e propaganda e a que condições ele deve estar atento? Para o diretor nacional do curso de Comunicação Social da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), Luiz Fernando Garcia, a condição fundamental para o sucesso é que o novo publicitário entenda e conheça as pessoas e seus contextos. “Quem entende as pessoas, acompanha a evolução da cultura, as modificações e as relações sociais sempre saberá como se comunicar. É preciso entender as motivações e anseios para depois criar ou desenvolver uma comunicação eficiente”.

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Garcia reconhece que a formação universitária brasileira para a área ainda é repleta de fórmulas e propostas padronizadas, mas defende a necessidade de fazer o publicitário ser mais aberto a possibilidades e novidades. “É como uma pista, uma estrada. Só que as condições da pista estão mudando e a própria pista também está se transformando. Então, não adianta usar a mesma condução que você usava antes e guiar da mesma forma”, compara, destacando a necessidade de o novo profissional estar inserido no contexto de redes sociais, relacionamentos e mídias digitais, por exemplo.

Mudanças
Não se trata de um profissional que obrigatoriamente domine completamente programação, que seja viciado em redes sociais e tampouco compre todos os últimos lançamentos tecnológicos.

O diretor da ESPM explica que o melhor profissional de publicidade é aquele que não pensa de forma extremista. “Qualquer defesa de mudança radical ou generalização, tanto sobre o novo quanto sobre o velho, é equivocada. Afirmar categoricamente que as pessoas são assim é um absurdo. Cada contexto, cada pessoa, cada momento tem sua particularidade e merece atenção especial”, avisa.

Segundo o docente, não existe uma fórmula que determine o modo como as agências e empresas devem se comunicar com seus públicos hoje. “Hora a mensagem mais formal pode ser o melhor jeito de comunicar, hora pode ser necessário repensar a proposta”, explica, reforçando a necessidade do profissional conhecer as possíveis linguagens para cada momento ou público. “O bom profissional é aquele que se pergunta a toda hora “Por que aquela coisa é assim?'”, acrescenta.

Em um momento de velozes transformações sociais, econômicas e, principalmente, tecnológicas, o docente alerta para a necessidade dos novos profissionais entenderem que há cada vez mais grupos, diversidade e linguagens e, por isso, ao criarem ou desenvolverem comunicação para empresas e marcas, devem estar abertos a experiências e prontos para ampliarem suas perspectivas de visão a qualquer momento. “E não ficarem presos a um repertório de vida, um único contexto de ideias”, recomenda.

Fazer valer
Publicidade é uma das carreiras – como jornalismo – que não demanda um diploma de graduação para exercê-la. Por isso, o esforço de quem escolhe cursar uma graduação em publicidade é ainda maior, já que ele divide mercado com outros profissionais de comunicação, design, e cada vez mais internet e tecnologia.

Para o diretor da ESPM, o fato de o diploma não ser inerente ao trabalho força o profissional de publicidade graduado a ser ainda mais dinâmico e sintonizado com as transformações do mercado. “Você precisa continuamente avançar para mostrar ao mercado que a sua formação e escola fazem sentido”.

Outra necessidade do profissional atual na área de publicidade e propaganda, lembra Garcia, é a de conciliar seus conhecimentos técnicos da área com boas doses de visão empreendedora e de gestão. “O ensino superior não pode ser um RH [Recursos Humanos] avançado das empresas. Ele deve desempenhar sua funação de mudar, inovar e ajudar a criar o paradigma do mercado”.

Para tanto, ele lembra que, na ESPM, além das tradicionais agências e empresas acadêmicas, há um incentivo para que cada vez mais alunos desenvolvam seus projetos finais ou trabalhos de conclusão (chamados de Projetos de Graduação ESPM) como planos de marketing e comunicação para organizações e criação e desenvolvimento de projetos para novas empresas.

Atualmente, o diretor estima que 60% dos alunos empregados estejam em áreas de marketing e comunicação, 20% em agências (das mais tradicionais às agências digitais) e os demais entre veículos de comunicação e prestadores ou fornecedores de serviço, mas esclarece que um bom publicitário, aberto ao conhecimento e diálogo, e sintonizado nas necessidades e vivências das pessoas, tem possibilidade em diversas áreas, mercados e funções.