Rotatividade no emprego é 32% entre trabalhadores com carteira assinada

Apesar de ter atingido nível mais baixo em 22 anos, a taxa é considerada alta em comparação com outros países onde é de 20%

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SÃO PAULO – De acordo com pesquisa divulgada nesta quinta-feira, dia 27, pela Secretaria de Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade do Município de São Paulo a taxa de rotatividade no emprego atingiu 32,43% do total dos trabalhadores de carteira assinada, nível mais baixo nos últimos 22 anos.

Rotatividade ainda é relativamente alta

Apesar da taxa ter caído e atingido um nível historicamente baixo, em comparação com países mais desenvolvidos esta taxa é relativamente alta, visto que nestes países ela é de cerca de 20%. Segundo o secretário da prefeitura, Márcio Pochmann, este percentual confirma que as empresas brasileiras ainda têm facilidade em demitir pessoal.

Na década de 80 a taxa de rotatividade no Brasil era de pouco menos de 50% do emprego assalariado formal, percentual que subiu para 52,56% em 1987. Desde então, esta taxa caiu continuamente, tendência que foi interrompida em 1994, 1995 e 2001, quando atingiu, respectivamente, 49,55%, 49,55% e 35,9%. O estudo também constatou que dos 75,5 milhões de trabalhadores ocupados no Brasil, somente 27,2 milhões são empregados com carteira assinada, ou cerca de 36%.

Maior impedimento à demissão é financeiro

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Para Pochmann a diferença é que no Brasil os empregadores não se sentem constrangidos com a demissão como acontece em outros países, até porque, ao contrário do que acontece nos demais países, no Brasil as empresas não são obrigadas a informar as demissões aos sindicatos, de forma que os trabalhadores acabam não tendo força política para evitar as dispensas.

O único impedimento à demissão no país seria econômico, visto que o empregador teria que arcar com os custos da rescisão, que em geral são altos. Na verdade, a multa de 50% sobre o saldo do FGTS é o maior inibidor da rotatividade do emprego no Brasil. Apesar disto, Pochmann acredita que os gastos com a rescisão acabam sendo repassados ao preço final do produto.

Menos confiança entre as partes

Outro fator que contribuiria para a menor rotatividade do trabalho é o fraco crescimento da economia, uma vez que o nível de emprego da economia não cresce. Isto porque, a maioria dos empresários opta pelo corte de profissionais em épocas de baixo crescimento, em outros casos a terceirização da produção também contribui para a redução da taxa de substituição da mão de obra.

A alta rotatividade nos postos de trabalho também contribuiria para uma redução da confiança entre empregador e empregado. Do ponto de vista do trabalhador a falta de confiança se deve ao fato de que acredita que possa ser demitido por justa causa a qualquer momento. Por sua vez, a empresa tem uma relação menos estreita com o trabalhador, pois não exige qualificação profissional exatamente porque paga menos por ele.