Renegociação salarial foi mais difícil na segunda metade de 2001

Queda da atividade econômica prejudicou as renegociações, e muitas categorias tiveram reajuste abaixo da inflação

SÃO PAULO – O Departamento InterSindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (DIEESE) revelou os dados da pesquisa sobre as negociações salariais em 2001. No total foram analisadas 529 categorias profissionais, com o intuito da pesquisa era avaliar quais categorias conseguiram reajustes salariais iguais ou superiores ao índice nacional de preços ao consumidor (INPC), calculado pelo IBGE.

Maioria dos reajustes foi concedida no primeiro semestre

O resultado da pesquisa foi caracterizado por dois períodos distintos, visto que no primeiro semestre do ano 72% das categorias totais tinham conseguido o reajuste integral do INPC, enquanto no segundo apenas 46% das categorias obtiveram reajuste igual ou superior ao INPC. No balanço geral de 2001, o resultado foi positivo, 64% das categorias conseguiram os reajustes da inflação.

Enquanto na primeira metade do ano o mercado cresceu, mantendo o ritmo iniciado em 2000, na segunda foi duramente afetado pela combinação de fatores externos e internos. No mercado doméstico, a crise energética em junho, a desvalorização cambial e a preocupação quanto à economia brasileira, aliada à crise Argentina provocaram a retração do mercado. Com o temor de demissões em massa, muitas categorias aceitaram reajustes mais baixos.

Setor Serviços foi o mais prejudicado

Entre as categorias analisadas, a de serviços foi a mais prejudicada. Na média do ano cerca de 43% dos trabalhadores do setor obtiveram reajuste abaixo do INPC. No primeiro semestre apenas 34% da categoria teve reajuste abaixo da inflação, no segundo semestre esse número saltou para 78%.

No setor industrial, duramente afetado pelo racionamento, também foram registradas diferenças entre o 1º e o 2º semestre de 2001. Enquanto na primeira metade do ano, 73% dos trabalhadores do setor conseguiu um reajuste salarial pelo menos igual ao INPC, no segundo semestre este percentual caiu para 55%. Na média do ano, o resultado foi positivo já que 66% da categoria conseguiu reajuste no mínimo igual a inflação.

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Por último estava o setor de comércio, que apresentou as diferenças mais significativas. Enquanto no 1º semestre apenas 7,14% dos trabalhadores obteve reajuste abaixo do INPC, no segundo semestre essa proporção passou para 76,47%. Na média do ano, 33,33% dos trabalhadores do setor de comércio não conseguiu reajuste igual ou superior a inflação.

Greves mudam e pedem manutenção do emprego

Segundo o coordenador do atendimento técnico, Wilson Amorin, as categorias que mais têm dificuldade para negociar são as de comércio e de serviços, setores onde os sindicatos não têm tanta força. Além disso, Amorin ressalta que o projeto de flexibilização de leis, da CLT, deve prejudicar ainda mais as negociações, porque as questões não estarão mais limitadas aos reajustes salariais. Amorin lembra que desde 1995, as greves estão mudando as suas reivindicações, troçando os aumentos salariais pela garantia dos postos de trabalho.

As expectativas para 2002 são otimistas, principalmente porque trata-se de ano de eleição. Assim sendo, os governos devem priorizar projetos que tenham bastante visibilidade no âmbito populacional. Além disso, as taxas de crescimento para esse ano variam entre 2,5% e 3%, sinalizando que 2002 deve ser um ano menos turbulento do que 2001. Uma melhoria nas perspectivas de crescimento da economia brasileira poderia contribuir para um maior o sucesso dos trabalhadores nas negociações salariais.