Rendimento dos trabalhadores de São Paulo fica mais baixo em novembro

Com queda de 1,6%, renda média chegou a R$ 1.011; redução foi mais intensa no mercado informal

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SÃO PAULO – A redução na taxa de desemprego na Região Metropolitana de São Paulo para 17,1%, em dezembro, não se reproduziu em ganhos salariais para os trabalhadores. No período, o rendimento real médio do total de ocupados caiu 1,6% e ficou em R$ 1.011.

Divulgada nesta quinta-feira (27), a informação faz parte da Pesquisa de Emprego e Desemprego realizada mensalmente pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos), em parceria com a Fundação Seade. Vale lembrar que os salários analisados se referem a novembro, mas foram pagos em dezembro.

Queda é mais intensa no mercado informal

De acordo com a pesquisa, a diminuição nos rendimentos dos trabalhadores foi maior entre os assalariados sem carteira de trabalho assinada, cujos ganhos mensais caíram 3,6% e não passaram de R$ 644. Já os trabalhadores com carteira profissional perderam 1,4% de seu poder aquisitivo, recebendo, em média, R$ 1.133 como salário de novembro.

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Esta trajetória decrescente não se repetiu entre os profissionais autônomos, que mantiveram seus rendimentos praticamente estáveis na comparação mensal. Com oscilação positiva de 0,3%, os ganhos da categoria chegaram a R$ 729.

Os autônomos também são os únicos a expandirem seu poder aquisitivo em relação ao mesmo período do ano anterior. Neste caso, a elevação foi de 4,3%, já que em novembro de 2003 sua renda mensal estava em R$ 699. Em contrapartida, os assalariados com carteira assinada perderam 0,4% de rendimentos ao longo do ano, e o assalariados informais protagonizaram queda mais intensa, de 2,5%.

Comércio é destaque negativo

Ao se considerar os setores da economia, a diminuição no rendimento médio real dos trabalhadores foi maior no comércio, que já paga os piores salários do mercado. Com queda de 2,7% em relação ao mês anterior, os ganhos ficaram em R$ 764.

A área de serviços variou negativamente apenas em 0,7%, fechando novembro com rendimento médio de R$ 1.037. Já a indústria pagou salários de R$ 1.123, o que representa queda de 1,4% na comparação com outubro.

Embora responda pelos maiores rendimentos da economia, a indústria é o setor com redução (-4,8%) de ganhos mais intensa ao longo do ano. Em novembro de 2003, os salários médios do segmento eram de R$ 1.180. O comércio teve oscilação anual de -0,6% e a categoria de serviços foi a única a registrar aumento (1,7%).

Mulheres ainda ganham bem menos

Segundo a pesquisa do convênio Seade/Dieese, em novembro, as mulheres ganharam o equivalente a 66,3% dos salários pagos aos homens. Esta porcentagem é ainda menor que a verificada em outubro, quando estava em 66,8%.

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No período do levantamento, o rendimento médio dos homens correspondeu a R$ 1.196, queda de 1,3%, e o das mulheres foi de R$ 793, redução de 1,9%.