Rendimento do brasileiro cai pelo sétimo ano consecutivo em 2003, revela IBGE

Pesquisa mostra que renda do trabalhador despencou 7,5% e chegou a R$ 692; desigualdade social também diminuiu

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SÃO PAULO – Embora o mercado profissional brasileiro tenha alcançado alguns resultados positivos em 2003, o rendimento do trabalhador caiu pela sétima vez consecutiva naquele ano, conforme revelam os indicadores sociais divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quinta-feira (24).

De acordo com a pesquisa, a renda do brasileiro diminuiu 7,5% em 2003, em relação ao ano anterior, e chegou ao patamar médio de R$ 692,10. Em 1996, época em que os ganhos se encontravam nos valores mais altos da última década, o rendimento médio era de R$ 853,15.

Ao se analisar as categorias de emprego, as maiores perdas salariais ocorreram entre os trabalhadores sem carteira profissional, cuja retração atingiu 9,4%, e os militares e estatuários, que receberam salários 9% menores em 2003.

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Já os ganhos dos funcionários com carteira de trabalho, assim como o dos empregadores, caiu 7,9% no período. Os autônomos, por sua vez, protagonizaram queda de 6,4%.

Queda nos salários diminui desigualdade

Inusitadamente, a redução da renda dos brasileiros trouxe uma conseqüência positiva, que foi a diminuição da desigualdade entre os ricos e pobres do Brasil, uma vez que as perdas para os abastados atingiram percentuais mais significativos.

Segundo o estudo do IBGE, o rendimento médio dos 40% mais pobres da população brasileira caiu 3% ao longo de 2003, enquanto os 10% mais ricos do País perderam 9% de sua renda durante o mesmo período.

Como os mais favorecidos perderam mais naquele ano, a diferença de ganhos entre abastados e pobres acabou diminuindo. Em 2002, o rendimento dos ricos era 18 vezes superior à média do que ganhavam os trabalhadores com menores salários. No ano seguinte, esta discrepância caiu para 16,9 vezes.

Mercado de trabalho se abre para quem ganha menos

Apesar da perda do poder aquisitivo do brasileiro em 2003, naquele ano a população de baixa renda conseguiu maior espaço no mercado de trabalho. Em todas as categorias ocupacionais houve aumento da participação de pessoas cujas famílias têm renda per capita de até meio salário mínimo.

No grupo de trabalhadores domésticos esta alta chegou a 1,6 ponto percentual, enquanto no segmento de empregados formais a elevação atingiu 1,5 ponto percentual.

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Vale lembrar que estas pessoas com pequena renda familiar possuem a maior representatividade entre os trabalhadores domésticos (34,1%), empregados informais (30,4%) e autônomos (27,6%). Em contrapartida, quem ganha menos fica apenas com 3,5% da categoria de empregadores e com 11,5% do grupo formado pelos funcionários com carteira profissional.

Em 2003, segundo o IBGE, o Brasil contava 87,7 milhões de pessoas com idade acima de 10 anos, na condição de ocupadas ou a procura de emprego. Este contingente representa a População Economicamente Ativa.