Renda média do trabalho cresceu 17,1% entre 2004 e 2008 no Brasil

De acordo com o Ipea, os trabalhadores com menores salários apresentaram um crescimento acima da média

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SÃO PAULO – A renda média do trabalho no Brasil cresceu 17,1% entre 2004 e 2008. Isso é o que aponta o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), com o estudo intitulado “A evolução recente dos rendimentos do trabalho e o papel do salário mínimo”, que foi divulgado nesta quinta-feira (13).

Em 2004, o rendimento médio do trabalho era de R$ 850,93. Já em 2008, esse número cresceu para R$ 996,45. Ao levarmos em conta o período de 2002 e 2008, a renda apresentou um crescimento de 7,6%.

De acordo com o Ipea, os trabalhadores com menores salários apresentaram um crescimento acima da média no período. O instituto ressalta ainda que o salário mínimo, junto com o crescimento econômico, foi o principal agente que induziu esta dinâmica do mercado, uma vez que apresentou aumento real de 36,93% no período, passando de R$ 303 em 2002 para R$ 415 em 2008.

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Diferenças históricas
Chama a atenção a relação entre trabalhadores do sexo masculino e feminino. O estudo constatou um aumento de 9,25% entre 2002 e 2008, e uma elevação de 18,95% entre 2004 e o ano retrasado, no que diz respeito à situação das mulheres.

O salário médio dos homens em 2008 era de R$ 1.130,25, enquanto que o das mulheres era de R$ 801,63, o que mostra que, apesar do avanço, elas continuam a ganhar menos. Entre os quatro anos em questão, o crescimento do salário médio masculino foi de 16,82% e, desde 2002, foi de 7,75%.

Carteira assinada
Entre 2002 e 2008, o rendimento médio dos trabalhadores com carteira assinada (alta de 3,08%) e por conta própria (alta de 5,41%) obteve uma evolução mais fraca do que o dos profissionais sem carteira assinada (alta de 10,07%).Os funcionários públicos apresentaram o maior crescimento no período, de 11,20%. O salário médio destes também foi o maior, de R$ 1.759,16.

O Ipea atestou que os trabalhadores que possuíam até quatro anos de escolaridade apresentaram maior crescimento (12,39%) entre 2002 e 2008, ao passo que aqueles que possuíam Ensino Superior mostraram uma queda de 12,76% nos rendimentos.

Em relação à faixa etária, foram os trabalhadores mais jovens (até 24 anos) e os mais velhos (acima de 55 anos) que obtiveram um crescimento de renda acima da média nacional, com 15,24% e 14,04%, respectivamente, desde 2002.

Regiões
A região Nordeste foi a que apresentou o maior crescimento salarial, alcançando quase 20% de alta entre 2002 e 2008, porém ainda permanece como a região onde os rendimentos são os mais baixos, com R$ 646,97.

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O Sudeste, que sempre apresentou as maiores médias da renda do trabalho, com R$ 1.136,61 em 2008, foi ultrapassado pela região Centro-Oeste do País, com R$ 1.216,51 há dois anos. Segundo o Ipea, o salto é resultado da intensificação salarial dos funcionários públicos.

Frente ao Centro-Oeste, o bloco liderado por São Paulo e companhia atingiu uma alta de apenas 2% nos anos em questão, enquanto o atual líder apresentou elevação de 16,27%.  No que toca as regiões Norte e Sul, a primeira atestou uma média de rendimento de R$ 808,95, enquanto a segunda, de R$ 1.121,51.