Renda dos assalariados de SP caiu 23,96% em dez anos, aponta Fundação Seade

Redução dos salários ocorreu principalmente por conta da mudança do perfil da cidade, de industrial para os serviços

SÃO PAULO – Entre 1995 e 2005, a renda dos assalariados da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), com ou sem carteira assinada, caiu 23,96%, passando de R$ 1.494 para R$ 1.136.

Segundo dados da Fundação Seade, considerando apenas os autônomos, a queda foi de 46,8% no período. Isso porque o salário médio desses trabalhadores foi de R$ 1.406 em 1995 para R$ 747 no ano passado.

Mudança da indústria para os serviços

De acordo com o economista Alexandre Loloian, da Fundação Seade, a redução nos salários ocorre por conta da mudança do perfil da cidade, que deixou de ser industrial para se transformar em uma metrópole de serviços. “Os serviços, historicamente, pagam menos que a indústria”, explicou ele ao Diário do Comércio, periódico da Associação Comercial de São Paulo.

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A redução dos rendimentos pode ter outro motivo: a ampliação da massa de trabalhadores sem carteira assinada e autônomos, que, em geral, têm salários inferiores aos dos registrados.

Ainda segundo dados da Fundação Seade, o percentual de funcionários com carteira assinada na RMSP caiu de 44,5% em 1985 para 41,6% em 2005. Já o montante de empregados sem carteira assinada saltou de 11% para 13,8% e o de autônomos, de 18,7% para 21% no período em questão.

Respaldo legal para a prática

Para o especialista em Recursos Humanos da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da Universidade de São Paulo, Arnaldo Nogueira, a perda dos vínculos empregatícios aumenta cada vez mais no mercado de trabalho de São Paulo.

“Vantagens tributárias fazem com que as empresas optem cada vez mais por esse tipo de mão-de-obra, até porque contam com respaldo legal para a prática”, afirma Nogueira.

Segundo o especialista, da mesma maneira como a capital paulista transitou de cidade industrial para capital de serviços, uma nova transformação está em curso. “O setor de serviços está agregando cada vez mais tecnologia, o que fará com que um escritório precise de menos gente para funcionar”, diz.

Melhora da escolaridade

Ao contrário dos problemas que apareceram com a mudança do perfil do mercado de trabalho paulistano, um exemplo de dado positivo é a melhora da escolaridade, como forma de acompanhar as exigências do novo mercado.

De acordo com números da Fundação Seade, a quantidade de trabalhadores com nível superior completo subiu de 7,8% da massa de trabalhadores na RMSP em 1985 para 9,4% em 2005.