Renda do trabalhador em agosto registra terceira elevação seguida, diz IBGE

Salário médio dos brasileiros subiu 0,7% frente a julho e chegou a R$ 973,20; crescimento em doze meses foi de 3,7%

SÃO PAULO – O poder de compra do trabalhador brasileiro continua em recuperação. A renda média da população ocupada subiu 0,7% no mês, passando de R$ 966,72 para R$ 973,20 entre julho e agosto. No confronto anual, os números também tiveram uma variação positiva da ordem de 3,7%.

Os dados fazem parte da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) divulgada nesta quinta-feira (22) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), e realizada nas seis principais regiões metropolitanas do País: São Paulo, Salvador, Recife, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

Este foi o terceiro aumento consecutivo registrado nos salários dos trabalhadores. Na comparação entre junho e julho, o valor médio já havia subido 2,5%, precedido por uma alta de 1,5%.

Variações divididas na análise mensal

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A renda real do trabalhador subiu em três das regiões pesquisadas pelo IBGE, se comparada a julho. A alta foi maior em Salvador (4,5%), seguida pelo Rio de Janeiro (2,9%) e Porto Alegre (1,1%). Em São Paulo e Recife o quadro ficou estável. Apenas Belo Horizonte apresentou queda de 1,8%.

Em 12 meses, o salário médio da população ocupada aumentou em Salvador (6,6%), Rio de Janeiro (5,4%), São Paulo (4,0%), Recife (2,1%) e Belo Horizonte (0,9%). Uma diferença negativa no bolso foi notada em Porto Alegre (-1,8%).

Salário dos informais sobe mais

Na comparação entre agosto de 2005 e igual mês no ano passado, o rendimento médio dos empregados do setor privado com carteira de trabalho assinada – que têm a maior base salarial – aumentou 1,9%, passando para R$ 990,50. No confronto com julho, houve elevação de 1,3%.

Já os empregados sem registro na carteira tiveram seus ganhos reajustados em 5,4%. A remuneração média é a mais baixa entre as categorias e subiu para R$ 643,40. Já na relação com o sétimo mês do ano, a renda média teve recuperação de 2,4%.

Os trabalhadores por conta própria, por sua vez, tiveram variação positiva de 4,2% e o rendimento médio passou para R$ 772,00 no último ano. Entre julho e agosto esta categoria registrou aumento salarial de 1,6%.

Renda por ramos de atividade

Nos dados confrontados com julho, o segmento de construção foi o que teve maior reajuste salarial, de 3,7%. Com isso, a remuneração média da categoria subiu de R$ 698,76 para R$ 724,80.

O setor de Educação, saúde, seguridade social e outros – atualmente o segundo melhor pago – conseguiu um aumento de 3,1% no mês e saiu de R$ 1.300,38 para R$ 1.340,80.

O setor de Serviços para empresas (como atividades imobiliárias e intermediação financeira) ficou em destaque na base anual. Em doze meses, o segmento aumentou em 5,7% a base salarial, a alta mais intensa e que garantiu o posto de salário médio mais elevado da pesquisa. O grupo ganha hoje R$ 1.378,60 e recebia R$ 1.304,49 em 2004.

Ainda de acordo com o estudo do IBGE, a indústria extrativa, de transformação e distribuição, aumentou a base salarial em 5,5% no mesmo período (média de R$ R$ 1.040,80), assim como o comércio de veículos e objetos pessoais cresceu 5,4% (R$ 794,00) no mesmo período.

Não houve qualquer ocorrência de queda salarial no último ano, entretanto, destaca-se o recuo de 2,6% dos rendimentos de Serviços prestados a empresas, e Outros serviços (alojamento, transporte, limpeza e serviços pessoais) na comparação a julho.

Os valores absolutos extremos de remuneração entre as categorias ficaram em R$ 334,70 (Serviços domésticos) e R$ 1.378,60 (Serviços para empresas, como atividades imobiliárias e intermediação financeira).