Renda do trabalhador cresce em fevereiro, com destaque para Comércio e Indústria

Pesquisa revela crescimento de renda da maioria das categorias analisadas, com exceção dos autônomos, com queda de 2,9%

SÃO PAULO – Os rendimentos pagos ao total de trabalhadores ocupados, sejam eles assalariados do setor público e privado, ou autônomos, registraram variação de 0,2% de janeiro para fevereiro, mantendo a média paga praticamente estável no período: subindo de R$ 1.009,00 para R$ 1.011,00.

Se não houve aumento, pelo menos o movimento de queda observado nos últimos meses foi interrompido. Entretanto, na comparação com fevereiro do ano passado, houve queda de 1,5% nos rendimentos pagos à categoria.

Convém destacar que os salários analisados se referem a fevereiro, mas foram pagos em março. A Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de São Paulo foi divulgada nesta terça-feira (26), pela Fundação Seade e Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos).

Comerciários tiveram maior aumento de salário no mês

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De acordo com a pesquisa, apesar da estabilidade salarial de forma geral, os trabalhadores do Comércio tiveram a maior recuperação de renda da pesquisa sobre o mês de janeiro: 5,1%, mas continuam recebendo os salário mais baixos entre os setores (R$ 791,00). Entretanto, em 12 meses, a renda decaiu 6,3%.

Na Indústria o quadro é positivo, tanto na análise mensal (2,0%), como na comparação a fevereiro de 2004 (4,5%), figurando como destaque na análise anual. No setor, o salário médio ficou em R$ 1.200,00 no segundo mês do ano.

Finalmente, no setor de Serviços as variações foram menos significativas: 0,9% sobre janeiro; e -1,1% no confronto com fevereiro do ano passado. O rendimento médio passou para R$ 1.009,00.

Salário médio dos autônomos foi único a cair

Em termos de magnitude do crescimento de renda, o rendimento dos trabalhadores sem registro na carteira profissional, ou seja, os informais, aumentou 4,3% em fevereiro, passando a valer R$ 688 na média. Entretanto, em relação a igual mês em 2004, o salário pago a estes profissionais despencou 7,5%, a maior queda da pesquisa na análise anual.

Com salários superiores, os trabalhadores com carteira de trabalho assinada, cujos ganhos mensais ficaram em R$ 1.125,00 em fevereiro, tiveram recuperação da renda da ordem de 1,2% sobre janeiro. Confrontando os números com fevereiro de 2004, a alta é menor, de 0,9%.

Mas a trajetória ascendente na análise mensal da pesquisa não foi percebida nos profissionais autônomos, que perderam rendimentos na comparação com janeiro (-2,9%). Contudo, em um ano, houve alta de 2,7% em sua renda média. No segundo mês do ano, o salário médio da categoria ficou em R$ 714,00.

Aumenta disparidade salarial

As mulheres não têm muito o que comemorar, já que o salário médio pago às trabalhadoras caiu 1,1%, passando a R$ 790,00, fazendo com que as profissionais passassem a receber 66,3% do salário pagos aos homens. Em janeiro, esta proporção era de 67,5%.

Já o rendimento dos homens subiu 0,7% no mês de referência da pesquisa, passando a valer R$ 1.193 em fevereiro.

Por último, em relação a fevereiro de 2004, tanto homens (-1,7%) como mulheres (-0,7%) amargaram redução da renda.