Redução da jornada: maior parte dos empregadores manterá profissionais

Para MPEs, a redução não mudará situação do emprego no País, mas poderá aumentar a informalidade, diz Sebrae

SÃO PAULO – Para a maior parte das MPEs (Micro e Pequenas Empresas), a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais não deverá alterar a situação do emprego, segundo pesquisa realizada pelo Sebrae.

O estudo destacou que 51% dos empresários pretendem manter o quadro atual de colaboradores, mesmo que a lei seja aprovada.

De acordo com o levantamento, 63% dos entrevistados são contra a redução da jornada, 47% desaprovam a manutenção dos salários e 61% são contrários ao aumento adicional da hora extra. A sondagem afirmou também que 44% dos empresários temem a perda do faturamento nos negócios.

Informalidade

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Segundo o presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, os números fazem um alerta para a possível redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais provocar aumento da informalidade.

“Se há expectativa de manutenção do emprego e redução de faturamento, é possível que o empresário compense eventuais perdas partindo para o mercado informal. Isso é preocupante, porque estamos falando de um segmento que, só em outubro deste ano, foi responsável por 75% dos novos empregos formais criados em todo o Brasil”, explica Okamotto.

Hora extra

Se a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) 231/95 – que prevê a redução da jornada – for aprovada, haverá mudanças também no pagamento de horas extras: o adicional passará de 50% para 75%.

Segundo as pesquisa, 43% dos empregadores pretendem manter a situação atual do pagamento de horas extras, 27% irão diminuir e 5% aumentarão as despesas, se a lei for aprovada. Outros 25% não sabem ou não opinaram sobre o assunto.

O Sebrae também apurou a expectativa dos empresários para o final de 2009 e 37% pretendem contratar funcionários no último trimestre do ano, sendo que 9% pensam em demitir.

Sobre a pesquisa

O estudo “Ponto de Vista dos Pequenos Negócios” entrevistou 3.010 empresários em todos os estados e no Distrito Federal, sendo 82% do setor de Comércio e de Serviços, 13% da Indústria e 5% do Agronegócio.

Das empresas analisadas, 56% eram micro (faturamento até R$ 240 mil por ano), 20% eram pequenas (faturamento entre R$ 240 mil e R$ 2,4 milhões por ano) e 3% tinham faturamento acima de R$ 2,4 milhões ao ano.