Recuperação econômica permitirá nova queda na taxa de desemprego na AL

No que diz respeito aos países, Brasil, Chile, Nicarágua e Uruguai destacam-se, com o emprego formal crescendo cerca de 6%

SÃO PAULO – A vigorosa recuperação econômica permitirá que a taxa de desemprego registre nova queda, ao final de 2011, na América Latina e no Caribe.

De acordo com relatório divulgado na última quinta-feira (16) pela Cepal e pela OIT (Organização Internacional do Trabalho), este ano, a taxa de desemprego urbano na região deve ficar entre 6,7% e 7%. No ano passado, o percentual registrado foi de 7,3%, índice já considerado positivo, visto que era o mesmo nível registrado antes da crise financeira internacional.

Desde 2002, ano em que se encontrava acima de 11%, a taxa de desemprego na América Latina e no Caribe vêm caindo. Contudo, destaca o estudo, essa melhoria tem sido desigual, com maior queda nos países sul-americanos do que no norte da região, sobretudo, no Caribe.

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Políticas anticíclicas
Ainda conforme o relatório, as políticas anticíclicas – como investimento em infraestrutura, programas de emprego de emergência, estímulo às empresas ou programas sociais, entre outros -, adotadas pelos governos durante a crise, foram essenciais para a manutenção do emprego na região.

“Nesta crise registrou-se uma maior preocupação para sustentar o emprego e a renda das pessoas. Várias medidas adotadas foram o instrumento para o que o maior gasto fiscal chegasse em maior medida às pessoas, refletindo uma preocupação pela igualdade”, dizem a secretária executiva da Cepal, Alicia Bárcena, e a diretora regional do escritório da OIT para as Américas, Elizabeth Tinoco.

Brasil
No que diz respeito aos países da região, Brasil, Chile, Nicarágua e Uruguai destacam-se, com o emprego formal crescendo cerca de 6% no período analisado. Costa Rica, México, Panamá e Peru registraram aumentos entre 3% e 5%.

O levantamento ressalta ainda que, no ano passado, a geração de emprego brasileira, foi estaque entre os países analisados, pro conta, especialmente, do desempenho do país no contexto internacional e da dinâmica da demanda interna.

Por aqui, as seis principais regiões metropolitanas registraram aumento de 1,1 ponto percentual na taxa de ocupação, o que, juntamente com outras variáveis, resultou na diminuição de 1,4 ponto percentual da taxa de desemprego, ficando em 6,7%.

O estudo aponta que, nestas localidades, a proporção de trabalhadores com carteira assinada subiu de 49,4%, em 2009, para 51%, em 2010; ao passo que o número de trabalhadores informais passou de 19% para 18% e de trabalhadores autônomos e não remunerados, de 19,5% para 19%.

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Salários
Ainda conforme o estudo, em 2011, os salários reais na América Latina foram afetados pelo aumento da inflação, causado principalmente pela alta dos alimentos e dos combustíveis.

Entretanto, diz o documento, em comparação com o primeiro trimestre de 2010, os salários reais continuam crescendo em vários países, com destaque para Chile, Costa Rica e México, cujas variações foram levemente superior às taxas apuradas no ano passado.

No Brasil, Colômbia, Nicarágua e Uruguai o incremento foi moderado, enquanto que na Venezuela houve queda nos salários reais, por conta da expressiva diminuição dos salários no setor público.