Reajuste do piso salarial em SP está acima da inflação, mas CUT contesta cálculo

Para entidade, governo estadual deveria calcular aumento como o federal, que leva em conta a alta do PIB

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SÃO PAULO – No dia 25 de março, o governador do estado de São Paulo, José Serra, enviou à Assembléia Legislativa o Projeto de Lei que institui o reajuste ao Piso Salarial Regional. Mas a CUT-SP (Central Única dos Trabalhadores) está descontente com os valores propostos.

Pelo projeto, o piso I deve passar dos atuais R$ 410 para R$ 450 (alta de 9,8%); o piso II aumenta de R$ 450 para R$ 475 (+ 5,6%); e, por último, o piso III sobe de R$ 490 para R$ 505 (+3,1%). Na avaliação do presidente da CUT-SP, Edílson de Paula, os reajustes são insuficientes e caracterizam uma queda da diferenciação frente ao salário mínimo, cujo aumento foi de 9,21% no mês passado, atingindo R$ 415.

“O governo estadual deveria conceder o aumento da mesma maneira que o federal, sendo reajustado de acordo com a inflação do período e o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto)”, analisa.

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Injustos ou não, os reajustes ficaram acima da inflação. Entre julho de 2007, mês anterior à vigência do Piso Salarial paulista, e fevereiro de 2008, a inflação acumulada pelo IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe alcançou a taxa de 2,40%.

Protesto

A CUT-SP reunirá as centrais sindicais, nesta segunda-feira (14), às 16h, na sede da entidade. O objetivo é apresentar uma emenda na Assembléia Legislativa de São Paulo contra o projeto de Serra.

Um dos principais argumentos é que os aumentos não estão de acordo com a evolução do valor da cesta básica no município de São Paulo. Segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), o preço da cesta básica na capital paulista sofreu alta de 17,2%, entre agosto do ano passado e fevereiro de 2008. O percentual destoa dos reajustes nos salários.