Rali de commodities pode trazer inflação e recessão, aponta Société Générale

Polarizado por EUA e China, alta nos preços terá como fator crucial a capacidade de repasse de custos por produtores

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SÃO PAULO – Os preços das commodities registraram um forte rali nos últimos seis meses – tendência que deverá continuar -, o que também resulta em reações adversas nos países ao redor do mundo, com destaque para a China e para os EUA, indicam os analistas do Société Générale, Aneta Markowska e Wei Yao. 

Commodities e a alta dos alimentos
No caso chinês, a correlação entre os preços e a inflação doméstica é elevada, uma vez que os alimentos – muito vulneráveis a choques nos mercados internacionais – são responsáveis por 33% do CPI (Consumer Price Index) no país.

Assim, o país é pressionado por conta de restrições de recursos (na maioria dos casos, terrenos), repasse de custos e demanda crescente. Esta situação levou as autoridades chinesas a incrementarem o crescimento da renda da população de baixa à média renda, um contra senso que visa reduzir o impacto inflacionário sobre os mais pobres e a disparidade entre os chineses.

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Porém, Markowska e Yao indicam que, no momento, a elevação do salário mínimo e a distribuição de benefícios sociais mal permitem que a população pobre alcance a inflação do consumo básico. “Se as expectativas de inflação não forem gerenciadas propriamente, a China poderá facilmente ficar presa em uma espiral salário-inflação”, alertam os analistas em relatório.

Dificuldade em repasse de custos
Já nos EUA o impacto nos alimentos não é tão grande, uma vez que boa parte da produção é processada industrialmente e a volatilidade dos preços tende a ser absorvida pelos produtores.

“Aumentos substanciais em preços de commodities – particularmente em custos de gasolina – podem espremer o orçamento do consumidor e reduzir os gastos em outros itens discricionários”, relatam.

Além disso, os trabalhadores norte-americanos possuem muito pouco poder de barganha, portanto não podem compensar uma alta inflacionária com elevação de salários, justificam os analistas. Consequentemente, os empresários do país também possuem dificuldade em repassar os custos aos consumidores, reduzindo suas margens.

Deflação
Os analistas relembram que tal situação foi observada em 2008, quando os preços do petróleo atingiram US$ 150 por barril. A solução foi compensar a redução nas margens ao encolher a força de trabalho e elevar a produção individual do número reduzido de trabalhadores.

“Isso provou ser um forte impulso recessionário que exarcebou a fraqueza da economia norte-americana”, afirmam. Deste modo, o relatório destaca que se o ritmo de alta nos preços continuar, a recuperação do país poderá ser ameaçada. A solução seria um longo período de desinflação para reduzir as diferenças e recuperar a competitividade das exportações, destacam.

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