Questões pessoais? Veja o que realmente é necessário compartilhar com a empresa

Para professora, antes de falar sobre algum assunto, profissional deve considerar relação com a chefia e cultura da empresa

SÃO PAULO – Qualquer pessoa tem questões pessoais importantes que, muitas vezes, ocupam a mente e fazem perder o foco no trabalho. Neste momento, uma dúvida que surge na cabeça dos profissionais é a seguinte: contar ou não contar ao chefe?

De acordo com a professora de gestão de pessoas da Trevisan Escola de Negócios, Lilian Graziano, a resposta para esta pergunta passa por algumas reflexões, entre elas, o relacionamento do profissional com a chefia e a cultura da empresa.

“Tudo depende da cultura da empresa, se a pessoa tem boa relação com a liderança (…) Em geral, é aconselhável que a pessoa avalie qual o impacto que a questão terá na rotina profissional dela, antes de procurar a empresa”, diz.

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Principais questões
Um exemplo de assunto cujo compartilhamento com a empresa deve ser muito bem pensado é o que envolve a aquisição de dívidas muito altas peloo colaborador. Para a professora, esta é uma questão que pode depor contra o profissional, podendo prejudicar sua imagem.

Na opinião dela, o assunto só deve vir à tona se a pessoa tem a intenção de pedir alguma ajuda financeira, como um adiantamento do décimo terceiro salário, por exemplo. Ainda assim, o profissional só deve expor o problema para o departamento de RH (Recursos Humanos) da empresa, pedindo que o assunto não seja comentado com mais ninguém, incluindo o seu gestor imediato.

Atitude semelhante deve ser tomada na hipótese de a pessoa vivenciar problemas relacionados à dependência química, dela própria ou de familiares próximos. Aqui, entretanto, Lilian aconselha que a pessoa procure o aconselhamento do RH da empresa, especialmente se esta contar com algum serviço de assistência social, somente no segundo caso. No primeiro, o profissional deve tentar, antes de mais nada, resolver a questão com recursos próprios, com a ajuda de parentes e amigos.

Já a perda de emprego de um membro da família ou o acometimento de doença por um parente próximo só deve ser falado com a empresa, especialmente com o líder, se a rotina profissional for impactada, sobretudo quanto à necessidade de faltas e queda no rendimento profissional.

O que não pode deixar de ser dito
Ainda que a pessoa deva avaliar qual o impacto que a questão pessoal terá sobre sua rotina no trabalho, para avaliar se é pertinente ou não expô-la para a empresa, existem assuntos que não podem deixar de ser ditos.

Um deles é a gravidez. Segundo a professora, é importante que a mulher avise a empresa, primeiramente o gestor imediato, assim que souber ou, no máximo, até o terceiro mês de gestação, para que a empresa se prepare.

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Uma doença grave que acomete o funcionário também deve ser compartilhada com a liderança. Porém, neste caso, a pessoa deve primeiramente consultar o sindicato da categoria, para saber quais são os seus direitos, sendo que doenças que ainda motivam preconceito e que não irão afetar tanto a rotina no trabalho talvez devam ser compartilhadas somente com o RH.