Quer trabalhar no setor de turismo? Confira o cenário, que foi alvo de estudo

Profissionais do turismo têm mais estabilidade, porém os salários são 14,7% inferiores ao dos demais trabalhadores

SÃO PAULO – Segundo estimativas que constam no Simt (Sistema Integrado de Informações sobre o Mercado de Trabalho no Setor Turismo), correspondentes a dezembro de 2004, há 712 mil trabalhadores formais no turismo, que, quando comparados ao total de 24,3 milhões de empregados “celetistas” (contratados sob a Consolidação das Leis Trabalhistas), apresentam perfis muito diferenciados.

Por exemplo, o turismo possui, em nível nacional, uma participação masculina superior, bem como proporções mais elevadas de trabalhadores com 25 anos, em relação ao universo da CLT. Além disso, profissionais no turismo possuem mais estabilidade e, em menor grau, jornadas de trabalho com mais horas contratuais na semana. Em contrapartida, o padrão educacional está aquém do apresentado pelos demais trabalhadores celetistas.

A média salarial nacional do profissional do turismo, em 2004, foi 14,7% menor ante os trabalhadores celetistas privados. O resultado faz com que o turismo se aproprie apenas de 2,5% dos salários pagos na totalidade das atividades econômicas. Os dados fazem parte de um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), que abrangeu 1.195 municípios e 7 mil estabelecimentos.

Panorama

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A atividade de transporte é a que mais contribui para o total de ocupados no setor. Em dezembro de 2004, a atividade foi responsável por 47% do total das ocupações formais no turismo. Depois, apareceram os segmentos alojamento e alimentação, com 22% e 18%, nessa ordem.

No grupo transportes, há 334,5 mil empregados, o que equivale a 47% do total. Em seguida, estão a atividade alojamento (156,4 mil) e alimentação (127,8 mil). O grupo agências de turismo, que, de acordo com a pesquisa do Ipea, possui os mais elevados coeficientes de atendimento turístico, ocupa somente 34,8 mil profissionais, ou 5%.

O segmento que paga melhor também é o de transporte, responsável por 60% da remuneração das ocupações formais. Já o grupo alimentação, que emprega 22% dos trabalhadores do turismo, responde por apenas 9% da remuneração.

Análise

Nesse cenário, o homem é mais bem remunerado. Do ponto de vista da massa salarial, a contribuição da mão-de-obra masculina corresponde a 76,2% desse total. Entretanto, o relatório ressalta que isso não implica discriminação salarial em detrimento das mulheres e tem mais a ver com a ocupação dos profissionais.

Com relação ao crescimento do setor, entre janeiro de 2005 e maio de 2006, foram criados 54,6 mil empregos no turismo, o que denota uma alta da ordem de 7,6%. Uma leitura mais abrangente desses resultados permite afirmar que o setor está em plena expansão. Para o Ipea, o turismo ocupa um papel de destaque na economia e nas políticas públicas brasileiras.