Quem são os líderes científicos? Brasileiro cria ferramenta para identificação

Levantamento realizado por professor do Instituto de Física da Unesp revela que apenas 31% dos pesquisadores seriam líderes

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SÃO PAULO – Eles têm alto nível de formação, capacidade de influenciar as pessoas com suas idéias, nível de criatividade elevado, estão à frente de sua geração… Eles são os líderes científicos, que, no Brasil, podem ser identificados por meio de uma nova ferramenta.

O professor George Matsas, do Instituto de Física Teórica da Unesp (Universidade do Estado de São Paulo), desenvolveu um índice que permite identificar quais são os líderes nas comunidades científicas, bem como quais são os seguidores.

O Fator de Impacto Normalizado, como é chamado o índice, foi formado a partir do ISI Web of Science, um importante banco de dados científicos. Foram analisados artigos de 223 pesquisadores, num universo de 531 indivíduos que foram reconhecidos em 2008 como Outstanding Referees pela Sociedade Americana de Física (APS).

Impacto na comunidade

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Na verdade, o que o físico fez foi analisar as citações que um determinado pesquisador recebeu em artigos de outros pesquisadores, o que mostra o impacto que ele tem na comunidade; e as referências que ele citou em seu artigo, revelando o impacto que ele recebe de sua comunidade.

Assim, os líderes são os que impactam mais a comunidade (recebe mais citações de artigos seus) do que é impactado pela comunidade (coloca referências em seu artigo).

Ao final do trabalho, concluiu-se que apenas 31% dos pesquisadores seriam líderes, enquanto o restante são seguidores. “Seria muito interessante repetir esse estudo para os pesquisadores do CNPq com bolsa de produtividade para se comparar a situação da ciência nacional em relação ao cenário internacional”, afirmou Matsas.

Repercussão

De acordo com o diretor científico da SciELO (Scientific Electronic Library Online) – biblioteca de periódicos científicos brasileiros – Rogério Meneghini, “a pesquisa é inovadora, está bem escrita e tem potencial para ser utilizada”.

Já para o presidente da Comissão permanente de Avaliação (CPA) da Unesp, Adriano Antonio Natale, o índice é bom porque elimina autocitações. “Acredito que a proposta do NIF, que é identificar líderes em comunidades, está de acordo com o trabalho. Porém, devido ao dinamismo dos temas científicos, é muito difícil afirmar que esses líderes serão perenes, isto é, que o pesquisador pode ser líder de uma área que no futuro se mostrará inócua”.

O trabalho do professor da Unesp foi apresentado à comunidade científica por meio do artigo “What are cientific leaders? The introduction of a normalized impact factor”.