Quem recebe mais feedback tem mais chance de obter sucesso profissional

Mas atenção aos tipos de feedback. No falso/destrutivo, o conteúdo é deliberadamente falso, com o fim de magoar

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SÃO PAULO – “Feedback é uma crítica construtiva que se faz para outra pessoa acelerar seu aprendizado, seu desenvolvimento”, explica Sandra Betti, professora da Fundação Dom Cabral e sócia-diretora da MBA Empresarial.

Após anos trabalhando na área de carreiras, Sandra chegou a uma conclusão: quem recebe mais feedback tem mais chance de sucesso profissional. Sua percepção está de acordo com os resultados de uma pesquisa realizada há cerca de sete anos junto a profissionais bem-sucedidos, que na época ocupavam cargos executivos em grandes empresas, e pessoas desempregadas ou estagnadas.

Reações

Ela revelou uma característica comum aos bem-sucedidos: todos haviam recebido muito feedback. No entanto, para usar o feedback a seu favor, é necessário ser flexível. Sandra enumerou as reações possíveis dos profissionais, ao receber um feedback. Observe:

  • Raiva. “Quem é você para dizer isso? Você é muito pior que eu”, pensa o profissional;
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  • Mágoa. “E eu que sempre pensei que você fosse meu amigo”, lamenta;
  • Racionalização. “Eu faço isso porque a situação me obriga”, conclui;
  • Aceitação falsa. “É mesmo, você tem toda razão”. No fundo, entretanto, ele ainda acha que está certo;
  • Aceitação plena. “Nunca tinha pensado nisso, vou refletir a respeito e até gostaria que você falasse mais a respeito”, diz ao superior;

Os segredos da carreira de sucesso

Para atingir o sucesso, é necessário saber receber feedback. Para tanto, Sandra dá algumas dicas:

  • Desarme-se: procure ter confiança em você mesmo e no seu avaliador. Acredite e dê um voto em suas boas intenções;
  • Respire: essa é uma sugestão simples, mas eficaz. Nossos corpos são condicionados a reagir às situações estressantes como se essas fossem agressões físicas. Os músculos ficam tensos. Respirar profunda e completamente força nosso corpo a relaxar e permite que a mente fique mais alerta;
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  • Mantenha o autocontrole: administre sua ansiedade, tenha disposição para trocar idéias e tenha uma visão realista de si mesmo (procure “enxergar” sua área cega);
  • Ouça cuidadosamente: não interrompa e não rebata os argumentos de imediato. Pense, processe, reflita e se questione. Não desestimule o fornecedor do feedback;
  • Faça perguntas para melhor clareza: peça detalhes, fatos e exemplos específicos;
  • Processe o feedback: reformule a mensagem com as suas próprias palavras para que o outro perceba que você ouviu e entendeu;
  • Reconheça os pontos válidos: concorde com o que é correto. Isso não significa concordar com qualquer juízo de valor sobre você. Você pode concordar que seus relatórios estão atrasados, sem, no entanto, concordar que é irresponsável;
  • Organize com calma o que você ouviu: é razoável, às vezes, pedir ao fornecedor do feedback certo tempo para pensar no que foi dito e analisar o fato. Não use esse tempo para evitar a questão, mas para efetivamente aproveitar o feedback para reformular seu comportamento.

Tipos de feedback

Por fim, fique atento aos tipos de feedback existentes. O feedback verdadeiro/afetivo é sempre bem-intencionado.

“Esta combinação é a ideal, embora ainda pouco freqüente. Aqui, as pessoas trocam entre si mensagens autênticas, que visam o crescimento mútuo. Mesmo que o feedback seja corretivo, ele será emitido e aceito, produzindo mudanças para melhor. Este tipo de relação requer muita maturidade de ambas as partes e é caracterizado pelo freqüente confronto de idéias e fatos”, explica Sandra.

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Já o feedback verdadeiro/destrutivo é verdadeiro, mas é motivado pela intenção de destruir ou magoar o outro, deteriorando a relação.

“Aqui, raramente são dados feedbacks positivos, e o que predomina é a agressividade mútua. É um dos tipos mais freqüentes de relação, pode ser caracterizado pela agressão constante, tende a beirar a grosseria e a impedir a formação de teambuilding”.

O feedback nas relações paternalistas

O feedback falso/afetivo é típico de relações paternalistas. O componente afetivo praticamente anula o compromisso com a verdade ou autenticidade.

“Neste tipo de feedback, uma das partes encara a outra como dependente, frágil e incapaz de enfrentar a realidade. Os feedbacks dados são geralmente falsos, evasivos, permeados de meias-verdades cuja finalidade é não diminuir o outro. A simples omissão de feedbacks negativos é também freqüente neste caso”.

O problema é que a fuga ao feedback, embora confortável, não leva ao crescimento e amadurecimento das partes, e prejudica as empresas. É mantida uma relação num mundo de “faz-de-conta”. “É também um tipo muito freqüente de relação e pode ser caracterizado pela contemporização”, reflete ela.

O pior tipo

Por fim, o feedback falso/destrutivo constitui a pior das combinações, na qual o conteúdo é deliberadamente falso, com a finalidade consciente de magoar, diminuir, prejudicar ou destruir o outro.

“Informações fora de contexto, dissimulações, mentiras, calúnias e difamações fazem parte do repertório de feedbacks falsos/destrutivos. Relacionamentos deste tipo são dificilmente recuperáveis, e a única ação recomendável é a ruptura. Assim como o feedback verdadeiro/destrutivo, caracteriza-se pela agressão, mas esta tende a ser mais dissimulada, pela própria natureza falsa da relação”, completa.