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Mesmo em um cenário de alta estabilidade no emprego, os profissionais da área financeira estão cada vez mais abertos à mobilidade no mercado de trabalho. É o que mostra o estudo Talent Trends 2026, da Michael Page, que aponta um movimento crescente de reposicionamento estratégico de carreira no setor.
Segundo o levantamento, 94% dos profissionais de finanças afirmam estar abertos a novas oportunidades, apesar de o segmento apresentar um dos mais altos níveis de estabilidade contratual. Hoje, 93% atuam sob contrato permanente e 99% trabalham em regime de tempo integral.
Os dados sugerem uma mudança importante na lógica tradicional de retenção. O estudo mostra que a saída de profissionais já não está necessariamente ligada à insatisfação imediata, mas à percepção de novas possibilidades de crescimento, aprendizado e qualidade de vida.
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No Brasil, 78% dos profissionais da área financeira pretendem mudar de empresa nos próximos três anos, enquanto 43% consideram essa movimentação já nos próximos 12 meses.
“O profissional de finanças hoje não reage ao mercado, ele antecipa movimentos. Existe estabilidade, mas também uma consciência clara de valor e de possibilidade de crescimento”, afirma Ricardo Basaglia, CEO da Michael Page Brasil.
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Salário segue importante — mas perdeu exclusividade
O estudo mostra que remuneração continua sendo fator relevante na decisão de carreira, mencionada por 52% dos entrevistados. Mas outros fatores passaram a ganhar peso semelhante — ou até maior.
Hoje, 54% apontam cultura organizacional como elemento decisivo, enquanto 26% mencionam bem-estar como critério relevante na permanência ou troca de emprego.
Ao mesmo tempo, o levantamento indica mudança nas prioridades profissionais. Para 71% dos respondentes, equilíbrio entre vida pessoal e profissional aparece como principal fator valorizado no trabalho, ligeiramente acima da remuneração, citada por 70%.
O cenário ajuda a explicar por que empresas do setor financeiro passaram a enfrentar maior dificuldade de retenção mesmo sem deterioração evidente das condições de emprego.
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IA acelera transformação do setor
Outro ponto central do levantamento é o avanço da inteligência artificial dentro das áreas financeiras.
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Segundo o estudo, 68% dos profissionais já utilizam IA regularmente, acima dos 52% registrados no ano anterior. Entre os impactos percebidos, 79% relatam aumento de produtividade, 84% apontam melhora na qualidade do trabalho e 70% afirmam conseguir focar em atividades de maior valor estratégico.
Ao mesmo tempo, o levantamento revela uma lacuna importante na governança dessas ferramentas. Apesar da adoção acelerada, 43% dos profissionais dizem trabalhar sem diretrizes claras sobre o uso da IA.
“O desafio não é mais adotar a IA, mas estruturar seu uso. As empresas que conseguirem transformar produtividade em inteligência de negócio vão sair na frente”, afirma Basaglia.
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Transparência e desenvolvimento ganham peso
A pesquisa mostra ainda que profissionais do setor financeiro passaram a exigir mais previsibilidade e clareza nos processos seletivos.
Mais da metade dos candidatos (55%) espera transparência salarial já nas descrições das vagas, além de informações objetivas sobre benefícios e localização.
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Além disso, a agenda de desenvolvimento profissional segue forte: 50% afirmam buscar novas competências em 2026, enquanto 47% pretendem investir em certificações.
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Mobilidade crescente acompanha mudança mais ampla no mercado
O movimento observado no setor financeiro acompanha tendências mais amplas do mercado de trabalho.
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Pesquisas recentes vêm mostrando que profissionais passaram a recalcular a relação entre carreira, qualidade de vida e desenvolvimento pessoal. Levantamento da WeWork em parceria com a Offerwise mostrou que 64% dos trabalhadores aceitariam trocar de emprego por uma rotina com melhor qualidade de vida, mesmo com salário menor.
Já o estudo State of Data 2026, realizado em parceria com a Bain & Company, apontou que 71,6% dos profissionais da área de dados buscariam outro emprego caso houvesse retorno obrigatório ao modelo 100% presencial.
Os dados sugerem que retenção deixou de depender apenas de estabilidade e remuneração. Cada vez mais, empresas disputam profissionais em um ambiente em que flexibilidade, cultura organizacional, desenvolvimento e qualidade de vida passaram a influenciar diretamente decisões de permanência e mobilidade.
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