Quase 90% dos pisos salariais eram inferiores a dois mínimos em 2006

De acordo com o Dieese, dentro desse universo, quase metade (48%) teve valor de acima de um e abaixo de 1,5 salário mínimo;

SÃO PAULO – De acordo com um levantamento do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), divulgado nesta quinta-feira (26), 88,5% dos pisos salariais firmados no ano passado correspondem a até dois salários mínimos. No levantamento anterior, com base em 2005, essa proporção era menor, de 81%.

Dentro desse universo, quase metade (48%) teve valor de acima de um e abaixo de 1,5 salário mínimo; 2,7% na faixa de um; 21,9% de 1,26 a 1,5; 9,3% entre 1,51 e 1,75 e, por fim; 6,6% entre 1,76 e dois. Apenas 3,5% recebem mais do que três mínimos.

Sem incoporar

De acordo com o Dieese, alguns indicadores confirmam que os aumentos reais imputados ao salário mínimo não foram incorporados na mesma proporção aos pisos salariais nas negociações coletivas de trabalho.

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A média dos pisos salariais, que equivalia a pouco mais de 1,7 salário mínimo em 2004 e 2005, passa a quase 1,5, em 2006. Por fim, a mediana – valor central dos pisos, ou seja, o valor que separa os 50% menores dos 50% maiores pisos salariais – decresce de 1,56 salário mínimo, em 2004, para 1,50, em 2005, e chega a 1,24, em 2006.

Setores e ramos de atividade

A maior parte dos valores que correspondem a mais de dois salários mínimos foi negociada no setor de serviços, onde 20,3% das unidades analisadas estabeleceram pisos acima deste patamar. Já para a Indústria e Comércio, os percentuais foram de 6,2% e 5,6%, respectivamente.

Ainda de acordo com o Dieese, a maior média entre os valores de pisos salariais fixados em 2006 foi atingida no setor de serviços (R$ 535,18). Os destaques do segmento ficaram com Comunicações, Publicidade e Jornalismo (R$ 665,38), maior valor do segmento, e Turismo e Hospitalidade (R$ 382,40), com o menor valor.

O comércio ficou no segundo lugar do ranking, com média salarial de R$ 438,02 e destaque para Minérios e derivados de petróleo (R$ 478,44) e atacadista/varejista (R$ 399,65). Na seqüência vem a indústria, com R$ 474,17 de média e destaques para a Urbana (R$ 834,33 – maior) e Vestuário (R$ 371,34 – menor).

Novo valor do mínimo

De acordo com dados compilados pela InfoMoney, desde 2003 até este ano, trabalhadores e aposentados que dependem do mínimo tiveram um aumento real – descontada a inflação – de 23,55%.

Em reais, o pagamento passou de R$ 240, em abril daquele ano, para R$ 380, a partir do mesmo mês de 2007.