Quase 80% dos brasileiros fazem horas extras, aponta Dieese

Para a CUT, há no Brasil um estímulo exagerado para que se pratique horas extras, retirando o posto de trabalho de outra pessoa

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SÃO PAULO – Quem diz que brasileiro é preguiçoso está enganado! Segundo pesquisa do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos), 77,8% dos trabalhadores do País fazem horas extras.

Dos empregados consultados, apenas 21% declararam não trabalhar acima da carga horária contratada. Outros 36,4% afirmaram fazer horas extras às vezes e 22,1% declararam que raramente trabalham a mais. Já 19,3% deles disseram que realizam horas extras freqüentemente.

A pesquisa, divulgada na última quinta-feira (16), foi encomendada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT). Três mil trabalhadores de todo o País, dos ramos químico, transporte, vestuário, metalúrgico e comércio e serviços responderam às questões.

Motivos

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Do total de pesquisados, 45,3% disseram que fazem horas extras para complementar a renda mensal; 23,4% afirmaram que o fazem para demonstrar comprometimento com a empresa; 14,6% declararam que o realizam para poder comprar algum bem; 9,8%, para ter dinheiro para atividades de lazer e cultura e 2,4%, para ficar bem perante os colegas.

Ainda de acordo com a pesquisa, 76,9% dos trabalhadores disseram que nunca foram ameaçados ou punidos por se reusarem a fazer hora extra, enquanto 18,7% afirmaram que já foram ameaçados ou punidos.

Segundo o presidente da CUT, João Felício, é um absurdo haver uma quantidade tão excessiva de horas extras no Brasil.

“Há um estímulo exagerado para que o cidadão pratique horas extras. Nós até compreendemos que é porque o salário é extremamente baixo. Mas, ao fazer isto, conseqüentemente, se retira o posto de trabalho de uma outra pessoa”. As declarações foram feitas à Agência Brasil.