Quando copiar o líder no e-mail?

Existem situações nas quais é preciso mais que bom senso. E profissionais devem ficar atentos na hierarquia para não gerarem mal-estar

SÃO PAULO – O e-mail já é ferramenta essencial no mundo corporativo, mas existem casos que geram dúvidas em muitos profissionais. Quando copiar a liderança em uma mensagem é um deles.

Para a consultora de Transition Management da De Bernt Entschev Human Capital Ordália Segalovich, a resposta da questão vai além do bom senso. “Existem líderes que exigem que todas as informações sejam transmitidas a eles. Se essa determinação não estiver clara, o melhor mesmo é perguntar qual é a política da empresa”, recomenda a consultora.

Para ela, de maneira geral, o profissional só deve enviar um e-mail com cópia para o líder em situações e projetos que envolvem muitos colaboradores ou quando ele é fundamental para a continuidade do trabalho que está sendo executado. Ela dá um exemplo: durante uma negociação de compra de material de escritório, por exemplo, apenas o e-mail final, com o orçamento, pode ser passado. As conversas intermediárias não precisam ser repassadas. A menos que o líder exija isso. 

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A consultora do Grupo Foco Silvia Gerson, por sua vez, aconselha os profissionais a utilizarem como critério a importância do tema que está sendo tratado na mensagem antes de decidir por incluir o líder no campo destinatário. Assuntos que envolvem tomada de decisão, por exemplo, devem ser enviados à liderança. “Tudo o que depender da tomada de decisão imediata ou futura do líder deve ser informado”, avalia Silvia. “Já assuntos de rotina, que não comprometem a empresa, não precisam ser transmitidos”, completa.

O terceiro elemento
Os grandes problemas que acabam surgindo no mundo corporativo devido às trocas de e-mail envolvem além do profissional e sua liderança direta, algum gestor que está acima dos dois. E, nessa hora, os cuidados devem ser redobrados. 
Para Silvia, quanto maior a autonomia do líder, menores as chances de ocorrer uma situação desagradável. “Quanto mais liberdade esse líder tem de atuar, menos ele precisará do gestor que está acima dele para tomar alguma decisão”, afirma.

Para Ordália, nos casos de assuntos relacionados à rotina da empresa, o ideal, de fato, é que esse terceiro elemento fique de fora. “Claro que depende muito da cultura da empresa, mas nesses casos é melhor que os assuntos fiquem entre o líder e o seu subordinado”, diz. E os profissionais, ressalta a especialista, devem ficar atentos para apenas se direcionarem aos seus líderes diretos. “Se o assunto for de respeito ao gestor acima do líder desse profissional, é esse líder que encaminhará o assunto e não o colaborador”, ressalta.

As especialistas também apontam que ao copiar um superior do líder no e-mail, os profissionais podem causar mal-estar, pois com isso podem demonstrar, mesmo sem querer, que não respeitam a hierarquia ou o seu líder direto. Ordália ainda acrescenta que ainda que não se copie a chefia, é importante que o profissional, na maioria dos casos, arquive todos os e-mails para quando surgirem dúvidas.

Evite o e-mail
Embora o e-mail facilite a vida dos profissionais, o uso indiscriminado da ferramenta pode gerar aborrecimentos. Em certas situações, aconselham as especialistas, mais vale uma boa conversa. “Existem tantos meios de comunicação que pegar o telefone e resolver o problema pode ser mais rápido”, completa Silvia.