Qualidade de vida não é relevante para motivar mudança de emprego

Executivos paulistas não abririam mão da renda mensal para ter uma vida mais equilibrada, segundo pesquisa da StautRH

SÃO PAULO – Os executivos paulistas não consideram a qualidade de vida como fator relevante para motivar mudanças no emprego. A informação é da StautRH, que, em uma pesquisa divulgada nesta terça-feira (30), revelou que a maioria dos empresários entrevistados não toparia enfrentar uma redução de renda para ganhar em qualidade de vida.

Para se ter uma ideia, dos 407 profissionais entrevistados no estado, apenas 18% aceitariam uma oferta de emprego com remuneração inferior à recebida, em prol de uma vida mais equilibrada.

“É muito raro encontrar alguém que esteja realmente disposto a abrir mão de parte do seu salário ou aceitar um cargo de menor responsabilidade, mesmo com a possibilidade de trabalhar mais perto de casa ou em uma empresa com melhor ambiente”, diz o diretor da StautRH, Carlos Staut.

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Contraste de gerações
O levantamento também revelou que o comportamento dos entrevistados costuma variar conforme a faixa etária. Ao que consta, os jovens até 25 anos costumam se mostrar menos dispostos a mudar de emprego – somente 9% dos entrevistados considerariam esta opção de mudança -, enquanto que, para o grupo formado por profissionais acima de 40 anos, o índice sobe para 25%.

Os resultados evidenciam claramente as características de duas gerações: a “baby boomer”, composta por profissionais nascidos até 1960, e a “Y”, representada pelos que nasceram após 1981. Na primeira, o compromisso com o trabalho, as atividades em equipe e os planos de carreira no longo prazo costumam ser mais valorizados. Já na segunda, a satisfação pessoal, profissional e financeira no curto e médio prazo é mais evidente, mas ela não aceita retrocessos profissionais.

Agilidade e saúde
Outro dado apontado pela pesquisa diz respeito ao tempo gasto com o deslocamento dos profissionais nos trajetos casa/empresa. Enquanto 50% dos residentes de cidades do interior e 32% de Campinas gastam menos de 30 minutos, somente 21% dos paulistanos dispensam o mesmo tempo.

Contudo, apesar dos ganhos e da agilidade, viver no interior nem sempre é garantia de menos estresse ou ansiedade. De acordo com a pesquisa, apenas 45% dos entrevistados que residem na Capital e Grande São Paulo afirmaram já ter apresentado alguns destes sintomas – número inferior ao observado em outras localidades.

“O levantamento mostra que 53% dos profissionais que residem em Campinas, por exemplo, já apresentaram tais problemas de saúde”, diz Staut.