Puxa-saco: como identificá-lo no ambiente corporativo e saber o que pretende

"Ele demonstra que não tem opinião própria e dança conforme a música", explica gerente em RH da V2 Consulting

SÃO PAULO – O “puxa-saco” é oportunista. Quando bajula o chefe, ele está pensando em algum tipo de retorno. Não pense que faz o que faz de graça. Mas, no dia a dia, pode passar despercebido, principalmente porque alguns profissionais desse tipo agem de forma muito sutil. O leitor provavelmente está pensando: “isso significa que nunca saberei quem é o puxa-saco do meu trabalho?”.

A gerente de Recursos Humanos da V2 Consulting, Andréa Moreira Kuzuyama, explica que existem alguns sinais que permitem a identificação desse profissional.

Os sinais

Primeiro, ele mostra que não tem personalidade. Um dia, defende determinada posição perante os colegas. No dia seguinte, quando percebe que o chefe pensa o contrário, muda de ideia. “Ele demonstra que não tem opinião própria e dança conforme a música”, explica a especialista em RH.

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Em segundo lugar, o puxa-saco tende a apreciar intrigas. “Na frente, ele fala uma coisa. Por trás, outra. Simplesmente não tem um comportamento confiável”. Outros sinais que podem indicar que o colega é um oportunista:

  • Ele tenta puxar conversa com o chefe com frequência;
  • É prestativo. Mas não com todos. Muitas vezes, só com o chefe. “Às vezes, é da pessoa ser prestativa, mas, neste caso, ela acaba sendo prestativa com todos, independentemente do cargo e da condição social”, diz Andréa. O puxa-saco costuma ser prestativo apenas com aqueles que podem oferecer algo em troca, como uma promoção, ou uma ajuda no trabalho, por exemplo;
  • Ele agrada em excesso, por meio de elogios, presentes ou favores;
  • Ele aceita tudo que o chefe pede e faz parecer que este está sempre certo.

Alguns chefes adoram o puxa-saco

Às vezes, o puxa-saco não é um profissional competente, de forma que ele se utiliza de subterfúgios para esconder a incompetência. Segundo Andréa, o pior é que muitos chefes se permitem manter uma pessoa dessas na equipe, por conta do ganho que também têm.

“Há chefes que são movidos a elogios, agrados e recompensas materiais [presentes]“, explica. Há outros que, simplesmente, gostam de ter um subordinado que, aparentemente, possui gostos parecidos com os seus, pensa de forma similar, e aceita tudo o que dizem numa boa. Assim, o líder tem a ilusão de que está sempre certo, ainda que, no fundo, não seja ingênuo a ponto de acreditar que o funcionário não queira absolutamente nada em troca.

O problema, segundo Andréa, é que o puxa-saco faz o chefe cair em uma armadilha. A equipe sai prejudicada, porque profissionais extremamente competentes acabam sendo ofuscados. Como consequência, a empresa corre o risco de perder funcionários talentosos. “Pode acontecer de o puxa-saco ser competente. Se for o caso, tudo bem. Agora, se ele não for muito bom no que faz, pode causar um problema sério na equipe”.

“Os colaboradores ficam com aquela ilusão de que somente quem leva maçã para a professora ganha estrelinha no caderno”, garante a gerente de Recursos Humanos da V2 Consulting.

Causas pequenas

Ela alerta que alguém não se torna “puxa-saco” somente para conseguir uma promoção, crescer na empresa ou mesmo manter o emprego. “Pode ser que a pessoa almeje pequenos ganhos, como ter um horário de trabalho diferenciado, a possibilidade de sair mais cedo alguns dias, ou chegar mais tarde”. Não é preciso citar o quanto o tratamento diferenciado a determinados membros da equipe causa insatisfação geral.

“O importante é que o chefe não caia na armadilha, e não permita a presença desse tipo de profissional na equipe. O líder precisa estar atento aos resultados obtidos, às avaliações de desempenho, e não se deixar iludir”.