Programa de trainee: vantagens, desvantagens e expectativas

É importante que o recém-formado participante esteja ciente de que pode acabar não sendo absorvido pela empresa

SÃO PAULO – O ponto alto dos programas de trainee é a troca mútua que há entre a empresa e o profissional. A primeira investe e desenvolve as pessoas. O segundo ganha conhecimento e experiência, que podem, futuramente, beneficiar a empresa. Nas palavras da sócia-diretora da consultoria Pró Recursos Humanos, Cássia Vendemiatti, “conhecimento ninguém tira”.
Ela não acredita que existam pontos fracos nesses programas, porém, o recém-formado participante precisa estar ciente de que pode não ser absorvido pela empresa. “O problema é que existem casos em que a contratante procura um perfil específico de pessoa”, analisa. “Por exemplo, eles podem esperar que um determinado trainee se torne um líder no futuro e, quando ele não corresponde às expectativas, acaba sendo dispensado. Em resumo, quem se adequa mais fica”, adverte. “Muitas vezes, a empresa não contrata o trainee, mas ele costuma ser absorvido pelo mercado”, acrescenta.

Dicas

A especialista em recursos humanos já acompanhou diversos processos de desenvolvimento de trainees e conta que presenciou inúmeras vezes o caso de recém-formados que abandonaram um emprego teoricamente estável para participar de programas de trainee. “Você pode me perguntar: vale a pena? Eu digo que sempre vale”, argumenta.
Entretanto, os salários, nesses casos, são mais baixos, o que torna essencial um planejamento financeiro pelo candidato. “Os programas, geralmente, duram um ano”, lembra Cássia.
Alguns implementam uma avaliação trimestral. Se ele estiver insatisfeito com as atividades desenvolvidas no dia-a-dia, recomendo avisar na primeira avaliação”, aconselha. “Outras empresas possuem um plano de ‘job rotation’, que se trata da mudança de cargos periódica.”

Porta de entrada

Esses programas costumam ser realizados por multinacionais e grandes empresas, uma vez que companhias de pequeno ou médio porte não têm como arcar com os custos desse tipo de treinamento. “Quem pede muito suporte nos programas de trainee são as multinacionais. As pequenas nos procuram, mas não dispõem de paciência, tempo ou recursos financeiros para isso”, conta.
Justamente por conta do porte das empresas que oferecem esses programas e do que se aprende com o trabalho, oportunidades como essas funcionam, para recém-formados, como verdadeiras portas de entrada para o mercado de trabalho, na opinião da especialista.

Como ser selecionado

É claro que ser aprovado para participar de um programa de trainee depende do que a empresa procura. Entretanto, existem alguns traços comportamentais que fazem a diferença. “De maneira geral, as empresas procuram recém-formados com perfil mais ‘agressivo’, isto é, com garra e iniciativa, e que sabem trabalhar em equipe. E não necessariamente é preciso ter feito estágio“, garante.