Profissional: qual é a empresa ideal para você?

Acredite ou não, o ponto de partida para o sucesso profissional é a identificação com a cultura da empresa e as atividades desenvolvidas

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SÃO PAULO – Para saber se você está no emprego certo, a especialista em gestão de talentos do CLIV Solution Group, Celina Beatriz Gazeti, sugere outro questionamento: como você se sente em sua empresa?

Se sente desafiado e motivado a sair todo dia de casa? Você se importa com os resultados? Quando pensa em sua carreira, se imagina naquela empresa e tudo faz sentido? Você se enxerga em uma posição de destaque futuramente, na organização? Tem orgulho dela? Concorda com seus valores?

O diretor de Projetos da Manager Assessoria em Recursos Humanos, Vladimir Araújo, explica que é importante observar como o profissional se comporta ao se dirigir para o trabalho. “Se, na maioria das vezes, o trajeto é feito sem entusiasmo, é um sinal de que há algo de errado com ele ou com a empresa, e isso merece uma atenção especial”.

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“Mais objetivamente, existem outros aspectos relevantes tais como o nível de envolvimento e comprometimento no desempenho das atividades a ele confiadas; perspectivas de desenvolvimento e crescimento na empresa a médio e longo prazo; nível de relacionamento com superiores e pares; e sintonia com a cultura da empresa”, diz ele.

Uma questão de identidade

Acredite ou não, o ponto de partida para o sucesso profissional é a identificação com a cultura da empresa e as atividades desenvolvidas. “Quanto maior o grau de identificação, melhor o resultado obtido”, garante Araújo.

Celina concorda. “A identidade com a organização influencia o desempenho individual. Por isso, antes de se candidatar a uma vaga de emprego, pesquise sobre a empresa. Temos a internet à nossa disposição. Procure informações não somente no site corporativo, mas também em sites de busca e junto a amigos”.

À espera da promoção

Saiba que não é porque está esperando uma promoção há anos que deve pedir as contas. Não significa que não seja a empresa ideal para você. “Primeiramente, o profissional necessita realizar uma honesta e objetiva auto-análise. Muitas vezes, as pessoas superestimam sua qualificação, talento e experiência, sem que essa visão seja compartilhada pela chefia. Além disso, o profissional pode reunir a qualificação técnica, porém deixa a desejar no aspecto emocional, o que normalmente se torna um entrave, principalmente para promoções a cargos de liderança”, explica o diretor da Manager.

Celina recomenda se questionar o que foi feito em prol dessa promoção. Você de fato se esforçou? Buscou capacitação e deu seu melhor no dia-a-dia? “Se o profissional, por algum motivo, não se tornou visível perante aos seus superiores, ele deve analisar como pode melhorar”, diz ela.

“Se o profissional espera uma promoção há anos, deve avaliar se vale a pena esperar mais. Isso está relacionado com a qualidade dos desafios em sua carreira. Nem sempre uma promoção significa crescimento, mas, se há a expectativa e até a necessidade pessoal, então cabe reavaliar as perspectivas e, se forem de longo prazo, o jeito é sair. Talvez, a chefia tenha uma visão limitada e não reconheça as qualidades do profissional, correndo o risco de perdê-lo”, pondera Araújo.

Amigo da galera?

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O fato de ser amigo de todos não implica afirmar que é a pessoa certa no lugar certo. O contrário também é válido: somente porque não é amigo dos colegas de trabalho e do chefe, não significa que esteja no lugar errado. Antes de mais nada, existe uma questão de afinidade, que é intransponível.

Entretanto, a relação de respeito é fundamental. “A convivência deve ser harmoniosa para que haja produtividade. É muito complicado trabalhar em uma ambiente onde falta de respeito e há dificuldade nas relações”, afirma a especialista em gestão de talentos”.

Reclamações todos os dias

O fato de passar os dias e reclamando da empresa diz algo? Certamente, se você chega todos os dias em casa e a primeira coisa que faz é contar ao cônjuge o quanto seu dia foi estressante e ruim, há algo errado. Mas Celina avisa que é preciso tomar cuidado com a impulsividade e a vontade de se demitir.

“Analise se a insatisfação é circunstancial, isto é, se foi determinada por um episódio isolado, ou se é crônica, desencadeada por vários fatores que fogem ao seu controle. Se você já tentou resolver o problema e não teve sucesso, é provável que a insatisfação seja crônica”, afirma ela. “Lembre-se também que o problema pode estar em você. Supondo que a origem de sua falta de motivação seja a dificuldade em lidar com pessoas, saiba que, em qualquer lugar, passará pelas mesmas situações. Assim, é melhor resolver o problema do que fugir dele”

“Liste as vantagens e as desvantagens de continuar na organização. Se, após essa análise, você percebeu que é mesmo hora de partir, porque é a pessoa errada no lugar errado, faça um plano de recolocação antes de pedir demissão. Comece já a procurar outro emprego, porque é mais fácil encontrar uma nova colocação enquanto ainda se está empregado”, aconselha a especialista.

O trabalho ideal

Segundo Celina, o trabalho ideal é aquele que torna o profissional produtivo, saudável, ativo e sonhador. Enfim, é o trabalho que tem significado em sua vida, vai de encontro com seus ideais e ultrapassa o básico, que é prover seu sustento. “O trabalho deve ser uma fonte de prazer. A sociedade ocidental tem uma visão de que trabalho é sacrifício. Mas ele pode ser uma recompensa emocional e financeira, pode ser leve. Cada vez mais pessoas já conseguem trabalhar em meio a essa perspectiva”, conclui.