Profissionais negros recebem menos que brancos com mesma formação

Em alguns casos, os rendimentos não chegam a 40% daqueles pagos a não-negros, de acordo com pesquisa do DIEESE

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SÃO PAULO – Pesquisa do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos), divulgada nesta quinta-feira (18), mostra que profissionais negros têm salário menor do que colegas brancos que desempenham o mesmo trabalho. O estudo compreende os anos de 1998 a 2004, e foi realizado em seis regiões metropolitanas brasileiras (Belo Horizonte, Distrito Federal, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo).

Embora as disparidades salariais motivadas por cor ou sexo do profissional tenham diminuído nos últimos sete anos, esta evolução não foi suficiente para acabar com um cenário de flagrante preconceito verificado no mercado de trabalho nacional. Em muitos casos, a aproximação dos rendimentos ocorreu unicamente pela perda de poder aquisitivo do segmento mais favorecido, e não por aumento salarial dos negros.

Clara diferença

Segundo a pesquisa do DIEESE, na região metropolitana de São Paulo, em 2004, um homem negro com a mesma formação de um branco recebe cerca de 52,7% de seu salário: em média R$ 616,00 e R$ 1.169, respectivamente. E este dado ainda não é o pior encontrado pelo estudo. A maior discrepância é notada em Salvador, onde o profissional afro-brasileiro alcança apenas 49,1% dos rendimentos do outro segmento.

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Mesmo nos locais em que a diferença é menor, verifica-se uma discriminação impensável numa sociedade que se julga livre do racismo. Trabalhadores negros do Distrito Federal e de Belo Horizonte, capitais em que a pesquisa encontra melhores condições, ganham 67,4% e 67%, respectivamente, dos salários pagos a colegas de outra cor.

Como se não bastasse o rendimento mais baixo, a pesquisa constata ainda que as ocupações desempenhadas pelos negros exigem uma jornada de trabalho mais longa que a de não-negros. Isso significa que trabalham mais tempo e recebem menos dinheiro no final do mês. Na capital paulista, por exemplo, os ganhos por hora dos profissionais negros atingem apenas 52,2% do total recebido por não-negros. Porto Alegre é o local em que essa relação é mais próxima, e a fração não passa de 67,2%.

Situação é pior para trabalhadoras

A posição da mulher negra no mercado de trabalho é ainda pior que a dos homens. Os números do estudo do DIEESE mostram que, em todas as regiões, os rendimentos femininos são inferiores aos masculinos, independente da cor. No entanto, essa desigualdade se torna maior quando se trata de mulher negra.

Situada na parte mais baixa da tabela de ganhos salariais, elas representam o oposto dos homens brancos, que estão no topo desta escala. A comparação entre ambos é espantosa. Na região metropolitana de Salvador, enquanto o segmento mais favorecido recebe, por hora, R$ 7,17 em média, as negras conseguem apenas R$ 2,78, o que equivale a 38,8% dos rendimentos masculinos.